O texto a seguir possui spoilers da quinta temporada de Game of Thrones

A revista Entertainment Weekly divulgou momentos após a exibição da premiere da quinta temporada uma entrevista exclusiva com Ciarán Hinds, que interpretou Mance Rayder em Game of Thrones. O ator irlandês de 62 anos conta como recebeu a notícia de que não estaria mais na série, e a diferença em relação aos livros:

 

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EW: Como você ficou sabendo sobre o destino de Mance?
Ciaran HINDS: Eu já esperava, quando Stannis e Davos apareceram [na temporada passada], aquilo significava que algo sério aconteceria para mim no futuro. Eu recebi um e-mail muito bonito deles [David Benioff e Dan Weiss]. Me disseram, basicamente, “Oi, você sabe como funciona essa série, sabe que todos os homens devem morrer, e agora você estará indo para este caminho”, não foi exatamente assim, mas foi muito bonito. Eles disseram que me esperariam em agosto para um bom e velho churrasco, basicamente. Foi muito gentil que eles permitiram que eu soubesse, ao invés de apenas me mandarem o script. Pode ser muito mais difícil do que em muitas séries, porque os produtores sentem um compromisso genuíno com cada perda, e mesmo assim devem cumprir o seu compromisso com a série.

Aquela cena com Jon Snow em sua cela foi sem dúvida a sua melhor na série, como você se sente quanto a isso?
Bem, foi um grande desafio, eu acho, não tenho outras palavras. Eles têm tantos personagens para lidar, não sabia o quão longe eles poderiam levar Mance. Eles decidiram iniciar a temporada com uma grande cena e eu era o cara a ser torrado. Eu ainda não assisti, então não sei como me saí.

A escolha de Mance é difícil de se vender para o público, porque eu tenho certeza que muitos assistindo aquela cena gritaram com a sua TV, “Aceite a oferta!”. Isso deve colocá-lo em uma posição difícil como ator, convencer os telespectadores de que um homem poderia fazer essa escolha.
Para mim, era algo além de teimosia, era uma crença profundamente arraigada, a que ele tentava transmitir. Que se ele dobrar o joelho, poderia não conseguir levar seu povo para onde tinha prometido, e essa foi a sua escolha pessoal. Ao invés de entregá-los para outra pessoa, deu ao seu povo algum tipo de liberdade e dignidade. Ele não estava preparado para vendê-los.

Você interpretou sua execução com porções generosas e admiráveis de horror e medo, sendo um personagem tão forte e resistente.
O fato é que essas pessoas sabem o que é a morte – eles lutaram, eles mataram, eles foram feridos. Ser assado vivo é uma das coisas mais dolorosas que podem te acontecer. Ele queria dar a essas pessoas esta imagem, que podemos ser fortes e seguir acreditando, mesmo na morte. Eu acho que ele estava genuinamente horrorizado com a possibilidade, não apenas pela dor que sentiria, mas que os seus homens iriam vê-lo em um momento de fraqueza, e que isso poderia enfraquecê-los. Foi uma mistura dos dois.

Qual a sua melhor lembrança em trabalhar na série?
Certamente não é a de congelar minhas bolas na Islândia! Aqueles foram dias amargos. As pessoas com quem trabalhei foram ótimas. Os técnicos, câmera, som, as pessoas do figurino. Foram ótimos, na verdade o trabalho que eles fizeram nos bastidores da Islândia, tornou suportável para nós fazer o nosso trabalho.

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Nos livros de George R. R. Martin, a morte de Mance na fogueira é um truque, e ele retorna mais tarde. Mas o sentimento que eu tenho é que você realmente não voltará para a série.
Sim. Nos livros há muito mais do que há na série de televisão. É impossível recriar tudo o que está nos livros. Você não pode ser absolutamente fiel ao livro, e por que seria? É um meio diferente. Você tem que tomar decisões e decisões ousadas e há tantos outros personagens, que não há como colocar tudo na panela. Imagino que se Mance voltasse, como nos livros, ele voltaria com uma roupagem diferente, como uma pessoa diferente, o que não iria me envolver, provavelmente. Então você tem que pensar: Se você pode imaginá-lo voltando, será que faz sentido ele ainda estar envolvido na história quando ainda há tanta coisa acontecendo? Estas são grandes decisões que os showrunners têm de lidar e até agora eles têm trabalhado nisso de maneira brilhante, pelo que posso ver.

 

 

E você, o que achou do adeus ao personagem? Divida com a gente nos comentários.