Olá! Chegamos à décima edição de Assim Falou Martin, a seção na qual o Gelo & Fogo traz declarações de George R. R. Martin, autor de As Crônicas de Gelo e Fogo. Os registros desta edição estão originalmente no Westeros.org, que gentilmente autorizou que traduzíssemos para o português.

Os relatos publicados hoje são de setembro de 1999 (não há registros para agosto de 1999). Eles incluem posts de George em fóruns e correspondência com fãs. Tentamos, na tradução, manter a escrita original, na medida do possível. As ilustrações são por nossa conta (e claro, dos autores).

Para acessar a coleção completa de AFMs publicados, clique aqui. Boa leitura!

Cersei e Homero

Post em fórum. 10 de setembro de 1999.

Conheço Homero, é claro, mas Cersei não é baseada em Circe. Muitos nomes se parecem.

Arya tem duas sílabas.

A Perdição

Post em fórum. 10 de setembro de 1999.

Você descobrirá mais sobre Valíria e sua Perdição em volumes posteriores, mas não especialmente em A TORMENTA DE ESPADAS.

Perdição de Valíria
A Perdição de Valíria. Arte: Ananya “EyeOfAMirror“.

Filhos da floresta

Post em fórum. 10 de setembro de 1999.

[Em resposta a um leitor perguntando se ainda existem filhos da floresta, se a população remanscente é de linhagem pura ou mista, e como a magia deles se compara com o que eles fizeram em épocas antigas]

Você vai ter que esperar por volumes posteriores para descobrir as respostas para suas perguntas sobre os filhos. Desculpe.

Os irmãos Baratheon

Correspondência com fã, enviada por Kay-Arne Hansen. 11 de setembro de 1999.

Primeira. Quando Cersei e Ned conversaram no bosque sagrado em A Guerra dos Tronos, ela mencionou Jon, e imaginou quem seria a mãe dele, (parafraseando) “… Alguma esposa de camponês que você estuprou, enquanto a casa dela queimava?” Isso indica que houve confrontos em Dorne quando Ned foi lá para trazer Lyanna de volta. Mas pensei que os Martells tinham ficado de fora da guerra, e que Ned foi lá quando a guerra já havia terminado. Então: Ned levou um exército consigo para Dorne, ou não?

O exército de Ned não o acompanhou a Dorne, não. Não houve batalhas em Dorne durante a Rebelião de Robert, embora sem dúvida tenha havido escaramuças pequenas ao longo das fronteiras. Mas não é inteiramente correto que os Martells ficaram de fora da guerra. Rhaegar tinha tropas dornesas consigo no Tridente, sob o comando do Príncipe Lewyn da Guarda Real. Porém, os dorneses não o apoiaram tão fortemente quanto poderiam, em parte por raiva por seu tratamento de Elia, em parte por causa da cautela inata do Príncipe Doran. A fala de Cersei não significa mais do que um desejo de ferir, de dizer alguma coisa suja para irritar Ned.

Stannis Robert Renly Baratheon
Stannis, Robert e Renly Baratheon. Arte: Henning Ludvigsen. © Fantasy Flight Games

Segunda: discutimos se Robert amava seu irmão Renly ou não. Haaruk achou que sim, enquanto eu nunca vislumbrei o relacionamento deles sendo mais do que morno. (Jaime disse que Robert dificilmente tinha estômago para aguentar seus irmãos (no plural)). Qual está correto?

Existem diversas formas de amar. Robert era diligente em relação a seus irmãos, e sem dúvida os amava de certa forma… mas ele não necessariamente gostava deles. As relações dele com Stannis eram sempre espinhosas. Renly era o bebê da família, e passou pouco tempo na companhia de Robert até que fosse velho o suficiente para vir à corte. Suspeito que Robert gostasse do garoto, mas não fosse especialmente próximo dele.

Stannis sempre se ressentiu de ter recebido Pedra do Dragão enquanto Renly recebeu Ponta Tempestade, e interpretou isso como uma desfeita… mas não é necessariamente verdade que Robert tenha pensado assim. O herdeiro aparente Targaryen sempre havia sido intitulado Príncipe de Pedra do Dragão. Ao fazer de Stannis o Senhor de Pedra do Dragão, Robert afirmou o status de seu irmão como herdeiro (o que ele era, até o nascimento de Joffrey alguns anos depois). Legalmente, Robert poderia ter retido os dois castelos para seus filhos, e feito de Joffrey o Príncipe de Pedra do Dragão e Tommen o Senhor de Ponta Tempestade. Dá-los a seus irmãos, ao invés disso, foi mais um exemplo de sua generosidade enorme, mas um tanto desleixada.

Trama de assassinato

Correspondência com fã, enviada por Kay-Arne Hansen. 20 de setembro de 1999.

Nós, leitores, depois de termos lido A Guerra dos Tronos e A Fúria dos Reis, temos informação suficiente para descobrir de forma plausível quem estava por trás da trama de assassinato contra Bran?

Há algumas coisas adicionais que serão reveladas em A Tormenta de Espadas… mas acho que a resposta poderia ser descoberta só pelos dois primeiros livros, sim… embora é claro, eu saiba a verdade desde o começo, então de certa forma é difícil que eu julgue.

Santagar e a adaga

Correspondência com fã, enviada por Elio M. García, Jr.. 24 de setembro de 1999.

Em relação aos livros, quando Cat e Sor Rodrik vão a Porto Real, Cassel encontra Sor Aron Santangar (mestre-de-armas da Fortaleza Vermelha) para perguntar a ele sobre a adaga. Nunca descobrimos o que Rodrik descobriu. O que exatamente Sor Aron disse quando perguntado sobre a faca? Ele corroborou o que Mindinho disse a Cat, ou se disse ignorante sobre a arma e seu dono?

Sor Aron mais provavelmente disse a Sor Rodrik que Mindinho era dono de tal arma, mas não muito mais do que isso.

A frota Lannister

Correspondência com fã, enviada por Kay-Arne Hansen. 26 de setembro de 1999.

Sr. Martin, achamos curioso que Tyrion tenha considerado a importância da frota Greyjoy em A Fúria dos Reis (quando a mensagem de Balon chegou a ele em Porto Real), uma vez que ele nunca pensa sobre a força naval do próprio Oeste e a utilidade dela contra os Stark.
Então começamos a duvidar dessa força.
Tywin chegou a reconstruir a frota Lannister, depois que Euron a queimou oito anos antes?
E se ele a reconstruiu, ele em algum momento nomeou um comandante permanente dessa frota?

Rebelião Greyjoy
A queima da frota Lannister na Rebelião Greyjoy. Arte: Tim Arney-O’Neil. © Fantasy Flight Games.

Sim, Lorde Tywin certamente substituiu os navios perdidos.

Porém, no que concerne a poderio naval, as únicas frotas comparáveis com a dos Greyjoys são a frota real (cuja maior parte foi destruída na Água Negra) e a frota Redwyne, baseada na Árvore. Além do rei, os Greyjoys e Redwynes são os poderes marítimos tradicionais de Westeros.

Os senhores cujas terras margeiam o Mar do Poente todos têm uma, duas ou três galés de guerra para defesa costeira, e é claro que essas costas são o lar de um monte de barcos de pesca também. Os Lannister têm uma frota maior e muito mais forte, mas ainda estamos falando de apenas vinte a trinta navios, talvez. Para uma grande batalha, convocariam os navios de seus vários vassalos, exatamente como Stannis convocou os senhores do Mar Estreito para a batalha na Água Negra.

A título de informação, porém, os navios deles seriam maiores e mais formidáveis que os dracares dos homens de ferro – cocas, carracas e galés de guerras de vários tamanhos, chegando até a grandes drómones com escorpióes e catapultas no convés.

Os Tyrell estão mais ou menos na mesma situação que os Lannister, embora eles dependam ainda mais de seus vassalos, especialmente os senhores das Ilhas Escudo na boca do Vago. Os Hightower têm apenas alguns navios de guerra, mas controlam Vilavelha, lar de muitas embarcações de comércio.

A resposta quanto ao nome de Cersei não ser inspirado por Circe veio um pouco surpreendente para mim. Não que eu achasse que a personagem em si era inspirada, mas o nome certamente se parecia muito (principalmente em sua pronúncia inglesa). George, porém, foi categórico ao não estabelecer aí uma relação – e ele não tem problemas em admitir quando é, tendo indicado referências em diversas outras declarações.

As informações sobre a Perdição e os filhos da floresta de fato vieram em volumes posteriores (na época dessas perguntas, só havia dois livros publicados).

A resposta sobre quem mandou matar Bran, porém, ainda gera dúvidas para muitos leitores mesmo três livros adiante, embora A Tormenta de Espadas tenha deixado as coisas de fato bem mais claras: foi Joffrey o responsável pela tentativa de assassinato. O rapaz, após ouvir um comentário de Robert sobre acabar com o sofrimento de Bran, resolve mandar o assasssino fazer o serviço com a adaga valiriana do próprio pai (que a havia ganhado numa aposta com Mindinho), procurando aprovação paterna.

Quanto à relação de Robert com Stannis e Renly, é uma pergunta realmente pertinente. Do ponto de vista de Stannis, Robert tinha pouquísima consideração por ele e o afrontava aberta e deliberadamente. De fato pode-se argumentar que Pedra do Dragão é uma propriedade um tanto inferior em poderio e qualidade das terras do que Ponta Tempestade, mas Robert não necessariamente quis insultar Stannis – embora Cersei acredite que sim, em fala dos livros. Pela fala de George, fica claro que Robert simplesmente não dava tanta atenção ou reflexão a esses assuntos, o que causava consequências inesperadas.

Na semana que vem, chegamos à décima primeira edição de Assim Falou Martin. A caixa de comentários para discussão da décima edição de falas de George R. R. Martin está aberta abaixo. Para acessar a coleção completa de AFMs, clique aqui.