Estamos na segunda edição de Assim Falou Martinem que apresentamos declarações de George R. R. Martin, autor de As Crônicas de Gelo e Fogo. Os registros desta edição estão originalmente no Westeros.org, que gentilmente autorizou que traduzíssemos para o português

Os relatos publicados hoje são de novembro de 1998, e incluem postagens em fóruns e correspondência com fãs. Em alguns casos, as perguntas feitas pelos fãs não foram registradas, mas é possível presumir quais são pelo contexto. Tentamos, na tradução, manter a escrita original, na medida do possível. As ilustrações são por nossa conta (e claro, dos autores).

Para acessar a coleção completa de AFMs publicados, clique aqui. Boa leitura!

Egg e os Targaryen

Post em fórum. 5 de novembro de 1998.

Sim, em última instância Egg vai se tornar rei, mas é um longo e tortuoso caminho, e o assunto de muitas histórias posteriores… que espero escrever depois de terminar todas as milhões e zilhões de palavras que ainda tenho que escrever para AS CRÔNICAS DE GELO E FOGO.

Daenerys, the Unburnt, por Michael Komarck.

Os Targaryens se intercruzaram bastante, como os Ptolomeus do Egito. Como qualquer criador de cavalos ou cães pode lhe dizer, intercruzamentos acentuam tanto as falhas quanto as virtudes, e empurra uma linhagem em direção aos extremos. Também, existe às vezes uma tênue linha entre a loucura e a grandeza. Daeron I, o rei menino que liderou uma guerra de conquista, e até o santo Baelor I poderiam ser considerados “loucos”, se vistos sob uma luz diferente. (E devo confessar, adoro personagens cinza, e aqueles que podem ser interpretados de muitas formas diferentes. Tanto como leitor quanto autor, quero complexidade e sutileza em minha ficção.)

Por último, alguns fãs estão lendo demais na cena em GUERRA DOS TRONOS na qual os dragões nascem – o que quero dizer é que nunca foi o caso todos os Targaryen serem imunes ao fogo em todos os momentos.

Autores merecedores de Legends

Post em fórum. 11 de novembro de 1998.

[Sumário: Em resposta a um tópico especulando sobre autores que deveriam ser incluídos em uma segunda antologia LEGENDS. Como nota, Robert Silverberg (editor de Legends) declarou de saída que não tinha planos específicos de fazer um segundo volume, mas que estava interessado em saber dos usuários sobre autores em potencial.]

Martin: Jack Vance, Guy Gavriel Kay, Jack Vance, Robin Hobb, Jack Vance, Gene Wolfe, Jack Vance, e Poul Anderson.

Mencionei Jack Vance? Em minha não tão humilde opinião, a Agonia da Terra de Vance foi uma das três criações seminais das quais toda a fantasia moderna germinou, as outras duas sendo a Terra Média de Tolkien e a Era Hiboriana de Robert E. Howard.

A verdadeira tristeza é que não houve uma LEGENDS há dez anos, para que pudesse ter sido incluída uma história de Fafhrd/Mouser de Fritz Leiber, e uma história de Âmbar de Roger Zelazny.

Bran ausente do banquete

Post em fórum. 17 de novembro de 1998.

[Sumário: Em resposta a Arion214 perguntando por que Bran não apareceu no banquete em Winterfell no começo de A Guerra dos Tronos.]

Pam, obrigado por seu post, e todas as palavras gentis sobre A GUERRA DOS TRONOS e “O Cavaleiro Andante.”

Quanto a sua pergunta sobre Bran… bem, ele está presente no banquete, é claro. Jon não o menciona, é verdade, mas é claro que há dezenas de outros que estão presentes também e que Jon não menciona… e Bran é uma visão familiar do dia-a-dia para Jon, que provavelmente está mais curioso sobre os convidados… o rei e a rainha, seus filhos, o Leão e o Duende.

Essa é uma explicação, de qualquer forma.

A outra é que o autor simplesmente deu uma escorregada e não o mencionou por descuido.

Mas de qualquer forma, ele estava lá, definitivamente. Existe até um momento em A FÚRIA DOS REIS em que ele se lembra daquele banquete.

Deuses de Westeros

Post em fórum. 18 de novembro de 1998.

Os sete novos deuses dos Ândalos são o Pai, a Mãe, o Guerreiro, o Ferreiro, a Donzela, a Velha e o Estranho.

Os deuses antigos dos Primeiros Homens e filhos da floresta são sem-nome e numerosos.

Adoradoras de R’hllor. Arte: Cleansing Light, por Magali Villeneuve. © Fantasy Flight Games.

Outros deuses são adorados em outros lugares do mundo – o Deus Afogado dos homens-de-ferro, a Cabra Negra de Qohor, o Grande Pastor, o deus cavalo dos dothraki – e R’hllor, o deus da Chama e da Sombra, adorado em Asshai e no leste, que adquire mais importância em A FÚRIA DOS REIS.

Diferenças no texto de A Clash of Kings

Post em fórum. 23 de novembro de 1998.

As mudanças são muito pequenas – na maior parte alguns erros de digitação foram vistos a tempo de serem corrigidos para a edição dos EUA, depois que a edição britânica já havia sido enviada para impressão.

Também, a edição dos EUA terá um mapa que a edição do Reino Unido não tem, e versões atualizadas dos mapas antigos.

Mais Guerra das Rosas

Post em fórum. 27 de novembro de 1998.

A Guerra das Rosas sempre me fascinou, e certamente influenciou AS CRÔNICAS DE GELO E FOGO, mas não tem realmente nenhuma correspondência literal personagem-a-personagem. Gosto de usar a História para temperar minha fantasia, para acrescentar textura e verossimilhança, mas simplesmente reescrever a História com nomes alterados não tem apelo para mim. Prefiro reimaginar tudo, e levá-la em direções novas e inesperadas.

Outros fóruns

Post em fórum. 27 de novembro de 1998.

Estou sempre contente ao ver sites dedicados à fantasia em geral ou meus livros em particular, mas prefiro não me envolver diretamente. Não quero estragar a diversão que os fãs têm ao discutir teorias, e também preferiria não ser influenciado por essas discussões.

É bom ver as pessoas lendo os livros com tanto cuidado, porém, e desenvolvendo sentimentos tão ardentes pelos personagens.

A ordem de batalha…

Correspondência com fã, enviada por Kay-Arne Hansen. 28 de novembro de 1998.

Kay: Sabe, quando Tyrion foi colocado para liderar a “van” (e presumo que isso signifique a vanguarda), ele se viu na esquerda. Mas a vanguarda não é a unidade dianteira de um exército?

Martin: O uso variava… mas mais frequentemente, a vanguarda ou van era a divisão (ou “batalha”, como eram chamadas) dianteira de um exército medieval na fila de marcha. Porém, quando o exército de fato se dirigia para a batalha, a vanguarda geralmente estaria na esquerda.

Existem exceções suficientes a isso para fazer do assunto confuso. Às vezes a vanguarda seria colocada na direita ao invés da esquerda. Se a hoste estava atacando, a vanguarda às vezes seria de fato a unidade de choque, a primeira a se bater contra o inimigo… mas quando o exército se retirava em uma manobra defensiva, isso obviamente não se aplicava. Também dependia bastante do tamanho do exército e de como era organizado: isto é, quantas “batalhas” ou divisões.

Os clãs das montanhas na vanguarda da Batalha do Ramo Verde. Arte: Battle on the Green Fork, por Tomasz Jedruszek. © Fantasy Flight Games.

Salto de cinco anos

Post em fórum. 30 de novembro de 1998.

Não estou completamente certo do quanto AS CRÔNICAS DE GELO E FOGO vão cobrir temporalmente. Haverá um salto de mais ou menos cinco anos entre o fim de A TORMENTA DE ESPADAS e o começo de A DANÇA DOS DRAGÕES, mas no geral… bem, vamos ter que esperar pra ver.

“O Cavalerio Andante” se passa mais ou menos um século antes de AS CRÔNICAS DE GELO E FOGO.

Nesses registros de novembro de 1998, George esclarecia muitas dúvidas que para nós hoje podem parecer óbvias, mas que à época deviam fazer os leitores quebrarem a cabeça. A menção à “linha tênue entre loucura e grandeza” acabou sendo incorporada mais tarde nos próprios livros, em uma fala de Barristan Selmy em A Dança dos Dragões.

De que mais você gostou? Aproveite para discutir nos comentários, enquanto não publicamos a terceira edição de Assim Falou Martin!