O texto a seguir possui spoilers do livro A Tormenta de Espadas, A Dança dos Dragões e O Festim dos Corvos que ainda não foram adaptados na série de TV. Se você não leu os livros ainda, pedimos que leia esse texto. Este episódio adaptou os capítulos Sansa IV, Tyrion VIII de A Tormenta  e inspirou-se em algumas diversas passagens dos outros dois livros seguintes, como Fedor I.

LION_ROSE copyUau. Muita gente teve a sensação de que este episódio teve muita violência gratuita do começo ao fim. É bem claro que, enquanto várias pessoas nesse episódio são caçadas, humilhadas ou envenenadas por alguém, ninguém faz absolutamente nada para ajudar. Sabe, este é um recurso que Martin usa para espelhar a nossa propria preguiça em relação a temas muito recorrentes no nosso mundo. Não foi a toa que ele foi o escolhido para construir o clima deste episódio em especial. A morte de Joffrey não traz absolutamente nada de bom para essa história. Porque do jeito que este sistema político e social é construído, um sistema que permite que monstros estejam no poder, não adianta um destes monstros ser abatido. Enquanto isso, outras criaturas iguais ou ainda piores estão apenas observando, quietas na sombra, a espera. Outras estão ainda mais evidentes e soltas, correndo, caçando…

No Forte do Pavor: …Tansy.

ramsay_myranda
Aqui vemos Theon (que como as pessoas em várias partes de Westeros) assiste a atrocidades e não consegue agir, porque foi treinado a aceitar, sentir medo e obedecer. O Fedor dos livros, a esta altura, não é mais alguém que seria facilmente reconhecido. Algo muito mais brutal e agonizante acontece com ele gradativamente. Não em semanas, mas em longos meses. Ele tem os cabelos brancos e ralos e é tão magro que de fato se parece mais com um animal. E de fato, fede. Tanto, que ninguém consegue ficar perto dele. Fedor está tão magro, fraco e mentalmente perturbado no livro, tanto que ele sente medo dos dois garotos Frey de oito anos de idade que o apavoram vez ou outra. E ele inclusive é tão humilhado por todos que dorme com os cachorros e divide a comida com eles. Come quando algo sobre para ele. Acredito que a maioria dos leitores o comparou ao Smeagol de O Senhor dos Anéis. Lembro-me dos vários episódios em que vimos Theon ser machucado e torturado na temporada passada, e o quanto aquilo parecia gratuito. Hoje vemos que aquilo serviu para dar mais consistência ao Theon que vimos neste episódio. Um Theon já quebrado, já transformado em um bicho de estimação. Pensando assim, colocar em tela o Fedor que conhecemos em A Dança dos Dragões seria algo realmente terrível. Alfie Allen é uma força da natureza, um ator muito, muito bom no que faz. Deu pra sentir a sua dor física quando ele tentava acompanhar Myranda e Ramsay em sua caça a menina Tansy (Que em português conhecemos como Tanásia. Uma homenagem aqui a planta abortiva que Lysa Arryn tomou a mando do pai no passado).

O que é legal também dos livros são aqueles personagens horrorosos que trabalham pro Ramsay como o Damon Dance-pra-Mim e o Caralho Amarelo. Será que os veremos na série?

Roose não gosta do que vê mas, assim como Cersei, permitiu que o filho se transformasse em quem ele é de certa maneira. Agora se arrepende de ter confiado tanto nele, mas perceba como ele em momento algum tenta colocar algum tipo de consicência na cabeça do filho, apenas reforça o fato dele ser um bastardo burro e imprudente e de que aquela bandeira pertence apenas e ele. Então, Ramsay está desesperado para se provar para o pai. Sempre esteve, e por isso quebrou Theon. Deu até uma sorridente boas vindas a nova mãe. E deu de presente ao pai a informação de que os garotos Stark estão vivos, indicando a provável localização (e ao ir atrás de Jon espelha o desejo de Cersei em eliminar o bastardo de Winterfell, como vemos em O Festim). Tudo está convergindo para Jon agora e, depois do julgamento de Tyrion, muito irá convergir para Dany gradativamente. Isso é muito interessante.

Em Pedra do Dragão: O Inferno é aqui.

selyse_baratheon
Do século XV ao XVII, queimar mulheres consideradas ‘bruxas’ era algo recorrente. Game of Thrones subverte este conceito colocando a bruxa de fato fazendo a maldade contra a Fé popular, e não o contrário. Ela queima seus deuses e seus corpos pecadores. Axell Florent nos livros é o tio avô de Sam, da Muralha, além de tio da menina Shireen. Nos livros, o homem condenado é Alester Florent que tentou acordar a paz com Tywin, mas ele infelizmente não ganhou uma história na TV. Vê-lo chamar pela irmã e a sua reação é uma tremenda construção de personagem pra Selyse da série, que de fato é muito mais legal, e interessante. Sua loucura é divertida, acredito que muitos que estão lendo esse texto agora conhecem alguma Selyse da vida real. Uma pessoa muito perigosa por estar cega com suas crenças. Uma pessoa que pra tudo tem uma explicação simples (ah, minha filha teve escamagris e agora seu rosto está marcado?; É claro que é o senhor da luz agindo, punindo-a. preciso puni-la também). E depois de observar que Alex Graves se divertiu muito ao filmar essas cenas em Pedra do Dragão, fica mais fácil digerir aquele Stannis tiozão que não se mexe e não tem voz. Apropriada no entanto é a mudança de caráter que percebemos aqui: ele gosta da filha e se preocupa com ela.

Screen Shot 2014-04-17 at 17.11.43
Shireen é uma coisinha doce e fabulesca. E é muito bacana que seja nela que Melisandre tenha deitado a mensagem mais sombria do episódio, por incrível que pareça. Pois o tio de Shireen, ascendeu sua alma e já viveu o seu inferno, que era aqui. O Deus da Luz e o Deus da Escuridão, e eles atuam enquanto estamos vivos.

Além da Muralha: Procure por mim, embaixo da Árvore.
Essas visões de Bran parecem-se muito com algo que Jojen deve ter visto no livro A Fúria dos Reis, uma vez que seja ele e Mãos Frias quem acabam guiando o garoto até o Corvo gradativamente entre os livros e não tivemos essa parte mostrada na série ainda. O imaginário e a plástica dessas cenas nos lembram muito a versão das visões de Dany na Casa dos Imortais da série, não é? Principalmente quando vemos o Salão do Trono coberto de neve e poeira. É muito importante que a gente se lembre que foi George quem escreveu este episódio, por isso essas visões podem sim ser tão relevantes quanto aquelas que  vemos em A Dança. Não sei até em que ponto isso pode ser decisivo na história e, como sabemos que George nos apresentou visões muito melhores que essa, fica a sensação de que essa passagem das visões realmente seja algo que Jojen vê nos livros. Pois este Bran que vemos aqui é o de A Dança dos Dragões. Como cada vez sua história chega mais perto de se encontrar com seu último capítulo do quinto livro, fica a sensação de que Bran ainda terá muito mais dessas visões. Portanto, essa pode ter sido apenas uma visão verde, e Bran ainda poderá ver com os olhos de uma árvore e ver o passado. As coisas que ele viu, portanto, são apenas visões de seu passado e de um possível futuro:

tumblr_n42imsD63M1rik3k0o1_500 tumblr_n42imsD63M1rik3k0o2_r2_500 tumblr_n42imsD63M1rik3k0o3_r1_500 tumblr_n42imsD63M1rik3k0o5_r1_500 tumblr_n42imsD63M1rik3k0o6_r1_500 tumblr_n42imsD63M1rik3k0o7_r1_500 tumblr_n42imsD63M1rik3k0o8_r1_500
Não foi a toa o perigo eminente dele passar tempo de mais dentro do seu lobo e esquecer-se de quem é ser representado momentos antes dele ter a necessidade de tocar a árvore. Bran é um warg e tem a visão verde, ele é um em um milhão e seu destino parece-nos extremamente sombrio. As duas imagens mais impressionantes desta visão estão a seguir: Um White Walker sendo quebrado em um lugar envolto a uma luz parecida a da aurora boreal, uma criança transformada em uma criatura e Ned.

1AN5KmL QP5bex6 r3udFJD
Na primeira temporada, sabemos que Bran e Rickon previram a morte de Ned e sonharam com o pai nas criptas. Poderíamos argumentar que esta visão é uma repetição do que Bran viu naquele momento e não nos foi mostrado. Mas… as criptas de Winterfell estão no coração e nas teorias malucas de muita gente. Tem gente que acredita que criptas poderiam ter alguma pista da paternidade de Jon, algo que estaria escondido no túmulo de Lyanna especificamente. Logo, mostrar Ned seria insinuar que ele sabia algo sobre as criptas e sobre o segredo de Lyanna e Rhaegar que ele levou consigo para o túmulo. Quanto a visão da garotinha, ela se parece muito com a menina morta de olhos azuis que vemos no primeiro episódio da primeira temporada (Winter is Coming). Algo a se admirar nesta cena é a capacidade de Martin de mostrar que a turminha de Bran está passando por dificuldades, muito frio e muita fome. Esses pequenos detalhes fazem tudo parecer mais convincente. Quando os Starks dizem que o Inverno está Chegando, é disso que eles estão falando.

Em Porto Real: Quem mataria um homem no dia de seu casamento? Apenas um monstro!

tumblr_n46hmiGZgd1r1xhpco1_500
Faltou a Penny… provavelmente não a teremos.

Neste episódio em especial, a câmera de Alex Graves fez questão de retratar Tyrion pequeno em relação as outras pessoas. Muitos do planos foram construídos para reforçar a  ideia de que ele é um anão, puxando a narrativa para o momento em que ele seria humilhado publicamente por ser um. Tudo começa na cena com Jaime onde vemos os dois jantando e um irmão dando força pro outro. Jaime é claramente maior do que Tyrion na mesa. Sabemos que isso é algo inédito que não vemos nos livros, quando Jaime chega a Porto Real, Tyrion já está condenado a morrer. Mas a criação dessa cena dá espaço a diálogos muito interessantes, onde vemos mais uma vez Tyrion usando-se para mostrar que a deficiência do outro é igual a dele: ‘Somos o aleijado, o duende e a mãe da loucura‘. No primeiro livro, ele conta a Bran: ‘Eu tenho um fraco no meu coração por aleijados, bastardos e coisas quebradas‘. Tyrion fez isso com muitos personagens até aqui e é o que faz com que a gente se identifique e torça para o personagem. Quando vemos nele um espelho para as nossas falhas humanas ou físicas, nos aproximamos do ideal de buscar ter uma mente afiada, ao invés de ter um corpo belo ou carisma, por que essas coisas no final das contas não te garantem nada. De um dia pro outro você pode perder a sua mão da espada e, então, o que restará de você?

Depois cortamos para Bronn treinando Jaime. No livro, Jaime neste momento é treinado pelo seu colega de infância, Sor Addam Marbrand (que até já apareceu na série) e mais tarde (Em O Festim) Jaime escolhe Ilyn Payne  para fazer isso, pois ele é discreto uma vez que não tenha língua e não consiga falar que Jaime tem dificuldades. Engraçadíssimo que muita gente levantou a  bola de que o correto seria ter dado a Jaime uma mão que fosse uma espada, e não uma mão de ouro. É verdade, mas George criou isso há muitos anos e substituir falhas por ouro é o caráter Lannister de lidar com problemas.

Conhecemos Mace Tyrell! Drink deep and live long, ele fala, quando dá ao genro um lindo cálice. Que coincidência. Todas as pequenas cenas que Martin escreveu para enriquecer este casamento foram ótimas! O casamento em si, a justa dos anões pantomimeiros, a participação dos integrantes do Sigur Rós, a insatisfação de Varys, Olenna levantando a questão da dívida que a coroa tem com o Banco de Braavos em paralelo aos gastos ridículos com esta cerimônia, Jaime e Loras se estranhando, Loras e Oberyn sendo promíscuos… e Cersei. Ah, Cersei.

Ao perceber que agora não é mais a rainha, Cersei deu uma voadora de passivo-agressividade em todo mundo por quem passou. É como se estivesse apegada aos últimos segundos de relevância que ela teria direito. Maltrata Pycelle, que estava sendo um pevertido, mas também maltrada Brienne sem motivo algum, apenas porque pode. E é interessante que ela tenha anulado o que Margaery disse sobre levar comida aos pobres, porque esse duelo entre as duas rainhas será algo bastante recorrente na história a partir de agora. E em se tratando das intrigas de Cersei, aquele diálogo em que Bronn insiste para Tyrion que Shae foi colocada em um navio, deixou uma sensação de que… ela não está no navio. Uma sensação muito amarga. Mostrar Shae ser chata, chorona e gritona para depois mostrá-la morta para que a gente se sinta mal, vai ser um trunfo realmente sensacional dessa série de TV. Mas os maniqueísmos deste episódio não param por aqui.

Os insultos culturais são muitos bons. Bastardos são concebidos pela paixão, diz Oberyn. Cersei deveria saber bem disso, já que concebeu três. É muito legal que eles tenham essas duas culturas diferentes frente-a-frente: Martel/Sand e Lannister. Eles nem são tão diferentes assim, mas é curioso e ridículo como essa questão da cultura te separa de outras pessoas, né? E quando Oberyn cita Myrcella (aliás, a atriz está empolgadíssima para voltar a série), ele está pontuando que ela será criada em uma outra cultura, onde bastardos são bem vindos, onde há mais respeito e exatamente onde Cersei deita e rola em sua ignorância e prepotência. Assim como Joffrey, ela é o tipo de pessoa que está muito acostumada a ser cruel e pouco acostumada a mostrar algum tipo de poder que seja real e que transforme algo. Tywin é capaz de mostrar esse poder real, e é por isso que se cala quando tem a chance (quando Oberyn solta a indireta do assassinato de Elia e os bebês).

É importante notar que o recast de Tommen, seja lá por qual motivo tenha sido realizado, dá a entender que a produção da série estava interessada em um garoto com a idade de Joffrey, para que o casamento com Margaery não seja tão esquisito, e para que o garoto possa ter cenas mais adultas mantendo o ‘padrão Porto Real vida louca’ que já conhecemos. Tommen da série não terá como gostar de gatinhos, de brincar e de carimbar papéis com seu dedo. Ele já está mais grandinho. Sei que todo mundo já comentou isso, mas gostaria de repetir: um dos momentos favoritos deste episódio é quando Tommen de regozija com a apresentação da pantomima e, com um olhar triste de Tyrion, ele percebe que não deveria fazer aquilo. Foi muito bacana. Tommen e Myrcella são muito fofos e, diferentes do que estamos acostumados a pensar de um Lannister. Mas ainda sim, são filhos de sua mãe.

As cenas do casamento estão em capítulos de Sansa e Tyrion em A Tormenta. Algumas coisas ficaram de fora deste episódio, como quando Tyrion, durante a entrega de presentes a Joffrey, sugere que Joffrey gostaria de ter ganhado um punhal com osso de dragão, ao invés do livro do Mesitre Kaeith. Joffrey, neste momento, estaria sendo acusado (com razão) pelo tio de ter tentado matar Bran quando ele estava em coma durante a primeira temporada. Nessa parte do livro também vemos Oberyn e Ellaria interagindo com Sansa, algo que infelizmente não veremos na série. Aliás, sobre Sansa no livro, Ilyn Payne está presente no salão de comemorações e ela fica horrorizada ao perceber que ele não carrega mais a espada de Ned (Gelo). No livro, Tyrion está levemente embriagado no momento em que Joff e Margaery se casam do Septo de Baelor e continua bebendo até o cair da noite quando começa o banquete. Ou seja, Tyrion passa o tempo todo embriagado. Além disso, as comemorações do casamento acontecem em um salão na Fortaleza e vemos algumas coisas bizarras, como dois anões simulando uma justa montados em um cachorro e um porco (no caso os anões são Merreca e Oppo) e vemos até um urso dançando durante as festividades. É algo mais caótico e menos organizado do que a série, e dá espaço para os nobres se sentirem mais confortáveis e sádicos quando Joffrey faz o que faz com o tio.

Por que Joffrey é um personagem tão odiado? Você percebe que, mesmos ele estando morto, você ainda o odeia? Que ainda não se sente vingado? Joffrey foi um dos únicos personagens que Martin criou que não tem tons de cinza. Ele é negro, não tem uma história pra contar, não tem um ponto de vista. Ria dos outros, maltratava, matava. Na série, prostitutas. Nos livros, gatinhos. Nos dois, Ned Stark, Sansa, o tio, a mãe. Ele é um garoto rico, nobre, que se transformou em um rei. Sua auto-importância, sua crueldade, a tendência de se esconder na hora de mostrar o seu trabalho, sua falta de coragem, inteligência, humildade, bondade, amor… Joffrey é uma banana psicótica, assassina, mole e estragada com uma coroa na cabeça. Mas porquê você se importa tanto com isso?

Joffrey está mais interessado na crueldade do que em sua esposa, família, porta-estandartes, vida. É o dia de seu casamento e ele tem uma esposa linda e toda uma vida de reinado e prosperidade pela frente. E nada disso o apetece mais do que humilhar, rir e passar os dias fazendo absolutamente nada com sua vida. Tyrion por sua vez luta para manter sua dignidade, lembrando-se sempre de que aquele é de fato um garoto adolescente que precisa de mais educação por parte de mãe, que precisa ser mais respeitoso, que não precisa de nada daquilo do que está lhe sendo servido.

Cersei amar Joffrey do jeito que ele é, rindo de suas brincadeiras, de seus anões, de sua crueldade, nos mostra que ela também não sabe amar. Assim como Tywin que assiste a tudo passivamente com um leve sorriso no canto dos lábios.

Sua morte foi uma das coisas mais violentas e acertadas que você já deve ter visto na TV, mas ela não traz um senso de justiça. Ela é precedida por uma série de momentos terríveis e bizarros, de vilania e humilhação. E então ela acontece. E a seguir, o que veremos é ainda mais vilania e humilhação neste núcleo. Joffrey era uma criança. E a situação em que ele morre, gera uma série de sentimentos confusos. Ele ainda é uma criança, e morre engasgado nos braços da mãe. Em uma peça de ficção, é normal que a gente sinta simpatia pelo final de um vilão, tão sem camadas como Joffrey. Mas essa simpatia que a ficção nos faz sentir é algo vilanesco em si. De repente somos Joffrey, batendo palmas e rindo de alguém que está sem ar, vomitando e sangrando pelo nariz. Todo mundo na ponta do sofá, mal acreditando no que estava acontecendo. Pessoas felizes, comemorando. Atitude contrária a das pessoas que estavam ali. A morte terrível de um garoto que morreu engasgado, desesperado por um pouco de ar, sangrando pelo nariz e pelos olhos. Joffrey morreu como nasceu: atormentado, venenoso, pedindo o colo da mãe. É correto comemorar isso? Não sei, mas de uma maneira muito esquisita é bom. Joffrey era um problema (ninguém estava feliz com seu show) e precisava ser eliminado.

Este foi um episódio muito importante para a jornada de Sansa, Martin escreveu um episódio definitivo pra ela sem precisar fazer com que a personagem sequer falasse algo. Sansa tem esse poder de demostrar muito em coisas que não precisam ser ditas. Sua introspecção e seu poder de mostrar-se forte ao assistir seu irmão ser ridicularizado e literalmente fodido pelos Lannisters é algo brilhante. Como mármore, procelana e aço, envoltos em camadas de seda, tranças e educação (e ok, colares venenosos). Martin sabe escrever pra essa personagem. Lembram-se de “Blackwater”, e como ela fez um trabalho memorável naquele episódio?

Falando em episódios escritos por Martin… assim como no ano passado, Martin este ano ficou responsável por um capítulo onde coisas extremamente distintas aconteciam. Fica difícil dar um tom de ‘capítulo’ para esse episódio. Muita coisa misturada desse jeito as vezes não é legal (Bran e Joffrey). Mas, são dez episódios por temporada e a montagem deles com certeza vai fazer mais sentido quando a temporada acabar.

Game of Thrones tem sido cada vez mais um deleite para quem leu os livros, justamente por estar se aproximando tanto de todos os livros já publicados. Spoilers vão fazendo cada vez menos sentido enquanto mais pessoas vão descobrindo os acontecimentos mais importantes da história. “The Lion and the Rose” é um dos melhores episódios da série, e as cenas do casamento de Joffrey, uma das melhores seqüências, muito bem escritas. Roteiro inteligentíssimo e fiel. Experiência única. Martin e Alex Graves desenharam de maneira muito inteligente a trama por trás do culpado pelo envenenamento de Joffrey. Há muitas pistas falsas (como Sansa pegando a taça no chão e o curioso aperto de mão de Margaery e Brienne em cima de uma taça de vinho), mas as verdadeiras foram colocadas de maneira muito generosa. É bem claro que vovó Olenna roubou uma das pedras do colar de Sansa, que subistitui sua rede de cabelo com ametistas de Asshai.

111760-Sansa-Stark-necklace-purple-we-uCNiToda essa temporada será apoiada neste episódio e a partir daqui, nada mais será como antes. Este foi um episódio tão intenso, com muitos acontecimentos simultâneos e que agora parece uma torta seca entalada em nossa garganta. Precisamos de respostas e desfechos. Precisamos de um bom vinho para ajudar essa ansiedade a descer, suavemente.

Está de parabéns editora Bantham Books que divulgou capítulo do casamento em seu site, pouco tempo depois que o episódio foi exibido. Fica a dica, Leya!