Todas as grandes produções de cultura pop tem dessas. Furos, erros de continuidade, coisas que todo mundo aponta e, na maioria das vezes, deixa passar porque se a obra for boa nada disso importa. Tem em Harry Potter (veja aqui e aqui). Tem em De Volta para o Futuro (veja aqui). Tem em Django (aqui), Titanic (aqui), Edward Scissorhands (aqui). Mas queremos quer falar sobre Game of Thrones.

Com essa quinta temporada de Game of Thrones, muitas críticas, descontentamentos e discussões foram reacendidas em relação à adaptação da série. Temos coisas originais sobre Game of Thrones que as pessoas gostam muito: a cena da luta de Brienne com o Cão, como Ned reconhece Arya na multidão antes de ser decapitado, Catelyn abraçando Robb e dizendo que “vingarão a todos” e as cenas de Shireen que eram belas e comoventes. As críticas, no entanto, começam quando os caras mexem nas motivações dos personagens e, consequentemente rolam alguns furos de roteiro.

Personagens viram heróis, santos e imortais, enquanto outros, eternas vitimas. O maior dos jogadores de repente se revela o mais burro deles, para cumprir função dentro de um polo específico. Muitas coisas ficam sem sentido (principalmente pra quem leu os livros), sem substância (para todos) e, pra tentar dar um pouquinho de sentido ou substância rolam aqueles longos diálogos que já viraram a marca da série. Então nos livros temos monólogos internos, descritos através de páginas e páginas. Na série temos diálogos, daqueles que tomam longos minutos de cena. Enfim, essa é por definição uma adaptação, e os caras se esforçam muito (é surreal o quanto) para fazê-la.

Essa lista não será um apontamento sobres erros ou acertos na adaptação como um todo. Me arrisco a dizer que se a gente fosse apontar tudo aqui, daria texto pra um livro,  a série basicamente mudou todos os personagens. Portanto, vamos expôr apenas alguns perceptíveis detalhes da adaptação que se contradizem, principalmente quando os produtores dão aquelas escapadinha marota do cânone. A maioria deles, você vai perceber que foram colocados justamente nesses longos diálogos. Outros foram apenas escolhas do design de produção. Muito deles na verdade não são tão ruins assim. Já outros, são de chorar. Que comece a dança:

1. OS  CABELOS LOIROS DE SHIREEN BARATHEON

A atriz Kerry Ingram e sua personagem possuem cabelos claros. No entanto, quanto aos Baratheon, sua “semente é forte” e todo herdeiro da casa possui cabelos negros.

No episódio 1.06 “A Golden Crown”, assim como no primeiro livro de As Crônicas de Gelo e fogo, vemos Ned Stark perceber que os filhos de Cersei não são de Robert pois historicamente todo Baratheon nasceu com cabelos extremamente escuros. Uma guerra envolvendo cinco reis foi feita envolvendo a evidência capilar de meia dúzia de crianças. O líder mais irritado com toda a questão da mancha na moral e na dinastia é justamente aquele que tem uma filha com os cabelos tão loiros quanto os das crianças “ilegítimas e fruto de um incesto”.

Kerry Ingram foi uma excelente Shireen Baratheon, não importando a cor de seus cabelos. A atriz passava cerca de 4 horas fazendo a maquiagem do escamagris e o esforço de produção já conta muito aqui, sem dúvida. Mas… esse é só o começo da nossa jornada com os cabelos em Game of Thrones. Tem mais Baratheon mal explicado vindo aí.

2. O FILHO ESQUECIDO DE CERSEI COM ROBERT

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No episódio 1.02 “The Kingsroad”, Cersei tem uma conversa com Catelyn Stark sobre o filho de cabelos castanhos que ela teve com Robert e que veio a falecer dias após seu nascimento. Essa é uma cena exclusiva da série, que serviu para mostrar que Cersei se esforçou para dar filhos legítimos ao rei, e que a semente Baratheon é de fato forte, sendo todos os herdeiros legítimos crianças de cabelos castanho. Além disso, o diálogo mostra o quanto Cersei dobrou seus esforços na criação de Joffrey, deixando que ele fizesse tudo o que seu filho morto não pôde fazer, e ajudando a transformá-lo em um monstro no processo.

No entanto, a série manteve a ideia da profecia da infância de Cersei, onde ela teria apenas três filhos com Robert, todos eles com “coroas douradas”. A bruxa não citou esse primeiro filho. Onde é que foi parar esse filho de Cersei na profecia de Maggy? É claro que, por ter sido uma criança que não viveu muitos dias, é sensato compreender que ele “não importa”. Mas Cersei nunca se esqueceu dele. Uma mãe não se esquece, principalmente uma mãe como a Cersei da série.

3. COROAS DOURADAS E MORTALHAS DOURADAScoroas_douradas

E assim é a profecia de Maggy, a Rã, Cersei teria três filhos com Robert. (…) De ouro serão suas coroas, e de ouro suas mortalhas (…). Martin nos disse nessa entrevista que devemos ficar de olho nas palavras vazias que lemos em profecias como essas. E como já havíamos colocado nesse post sobre o assunto, “o leitor é induzido a pensar que todos os três filhos serão reis/rainhas. Isto pode ser verdade, afinal, dois já foram coroados, mas também pode ser um jogo de palavras; “coroa” pode significar apenas aquilo que fica sobre suas cabeças; no caso, os cachos dourados de Joffrey, Tommen e Myrcella“.

Myrcella morreu na série de TV sem ser coroada. A ideia de que os três filhos de Cersei deverão ser coroados é algo muito substancial e, enquanto Myrcella quase foi coroada nos livros e está viva, na série nos deram o fim da personagem. Sem um link direto para a profecia, que foi a primeira cena da temporada. David e Dan gostam tanto de ser didáticos em certos aspectos da história (como em dizer diversas vezes em episódios a autoria do assassinato de Joffrey), mas… A profecia toda de Cersei ficou a desejar. Talvez essa questão seja linkada nos primeiros episódios da próxima temporada. Tomara.

4. AINDA SOBRE OS CABELOS E AS CORES EM GAME OF THRONES…

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As características físicas dos personagens de TV não são levadas em conta de maneira tão estrita como vemos nos livros de George R. R. Martin. Vários personagens como Tyrion, Cersei, Jaime e Sansa tiveram sua ‘perucas’ modificadas com o passar das temporadas. Isso é algo bastante comum em séries de TV, ainda mais tratando-se de uma que já está há cinco anos no ar. E mais comum ainda em sagas de fantasia: em Harry Potter, a cada ano, as cores e formas dos cabelos dos personagens mudavam bastante por motivos de: Diferentes diretores e cinematógrafos, diferentes designers de figurino, a puberdade e adolescência do elenco, etc. E também, é necessário dizer que Martin faz isso mesmo com seus personagens: Os modifica fisicamente, adicionando cicatrizes horrendas no rosto, cabeças carecas, corta mãos, genitália… Muita coisa muda, de dentro pra fora e de fora pra dentro. Mas em Game of Thrones, a cor do cabelo muitas vezes é a coisa mais importante. Novamente, é o que define guerra. É como se esconde um herdeiro exilado. É como se estabelece uma dinastia.

Sansa já mudou o tom de seu ruivo infinitas vezes. Ainda na primeira temporada, o cabelo da atriz que era natural passou a ser revestido de apliques. Cersei e Daenerys passaram pelo mesmo problema com seus apliques (comprimento, textura, volume). Tyrion começou a série sendo o mais loiro dos Lannisters (e essa característica fomenta algumas teorias). Hoje já não é mais. Jaime definitivamente não é mais loiro como antes.

Além disso, muitas das fotos promocionais tiradas nos sets de filmagens não condizem com a fotografia feita para a exibição da série. A talentosíssima Helen Sloan, responsável por essas fotos de estúdio, toma todo um cuidado para que a iluminação dos personagens tenha sempre uma continuidade. Mas um exemplo que gosto bastante de dar sempre que posso é o de Melisandre, que teve sua cor ‘apagada’ durante os primeiros episódios da quinta temporada. Nas fotos de Helen Sloan ela está vermelha, na série não.

É bem prepotente da minha parte ficar colocando meus dedos em cima desses detalhes de design de produção, quando é claro o esforço tão fora do comum que a equipe coloca nos detalhes de cena. Eu sei que é. Acreditem, eu sou meio que apaixonada pelo design de produção de Game of Thrones e estamos trabalhando em um artigo sobre como a série trabalha a continuidade através dos elementos de cena. Infelizmente, no caso da cor dos cabelos, tem um monte de coisa que acaba “se perdendo na tradução”. Não vou nem citar a sobrancelha de Daenerys para não ficar parecendo comentarista do Facebook. Ops, citei.

5. O HERDEIRO DA CASA TYRELL

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Nos livros, Loras e Margaery possuem dois irmãos mais velhos: Willas e Garlan. Na série de TV, o herdeiro da casa Tyrell é o menino Loras, fazendo inadmissível o fato dele ter sido preso pela Fé sem que isso tivesse consequências imediatas. Loras ser o único homem herdeiro de sua casa foi definido em um diálogo entre no episódio 3.05 “Kissed by Fire”, contradizendo não só os livros como o próprio HBO Viewers’ Guide, que mostrava Willas e Garlan na árvore genealógica dos Tyrells na 1ª temporada:


A Casa Tyrell deveria ter se levantado contra a Fé imediatamente, principalmente em um contexto onde Loras não é um membro da guarda real (nos livros ele é). Muitas pessoas acham que todos os juramentados da Campina estão em Porto Real, já que nos livros o acordo firmado com Mindinho levou mais de 50.000 homens para Blackwater contra Stannis. Mas na série o número foi muito menor e Stannis perdeu a guerra para o fogovivo. No episódio 3.05 “Kissed by Fire”, Olenna lista para Tywin como a casa Tyrell o apoiou até então: 12,000 membros de infantaria, 1.800 cavaleiros montados, 2.000 tropas de apoio, um milhão de tonéis de trigo, meio milhão de tonéis de cevada, aveia, centeio, 20 mil cabeças de gado, e 50.000 cabeças de ovelhas. Apenas isso. Onde é que estão os homens da Campina? Na Campina. Fazendo o que?

A adaptação de Loras já é problemática sem precisar deste detalhe, completamente focada em sua sexualidade como se essa fosse a única coisa que um homem gay fizesse com sua vida. Sexo. É muito legal que Loras seja gay, como tantos outros personagens dos livros (incluindo aqui Jon Connington (leia o que Martin falou sobre isso aqui) e até mesmo Cersei, que se aventura com sua amiga Taena “pântano de Myr” Merryweather em uma cena curiosa de O Festim). Representatividade é algo maravilhoso. Mas como herdeiro de uma das casas mais ricas e influentes do Reino, ele poderia ter as costas mais quentes. Fica parecendo que toda família de Westeros é bunda mole. Lady Olenna foi reduzida a uma vovó chateada, que não tem mais ninguém a quem se apoiar a não ser Mindinho. Jogaram Mace Tyrell em Bravos, mas corvos correm na velocidade da luz na série. Por que não correram neste caso?
Não temos em Game of Thrones a Fé dos Sete explicada apropriadamente. A estrela de Sete Pontas (espécie de bíblia da religião) por enquanto é só um conceito que George ainda não desenvolveu adequadamente. No entanto vemos a Fé Militante da série de TV perseguir Loras com base em conceitos bíblicos cristãos, e da ideia de sodomia. A ideia de sodomia (que é colocada no discurso de ódio, mas não verbalizada) não se aplica a Westeros, uma vez que não tenha havido Sodoma e Gomorra neste universo. Não há dentro do universo de Westeros base religiosa para se perseguir alguém por ser gay. A “fornicação” pela qual Cersei foi acusada é valida porque, como rainha, ela cometeu traição política contra Robert ao traí-lo ainda em vida (com Jaime) e conspirar para matá-lo (com Lancel). A alegada fornicação praticada por Margaery nos livros (que é o motivo pelo qual ela é presa lá, acusada com falsos testemunhos) também é valida porque Margaery é rainha e estaria traindo Tommen e o reino.
No meu ponto de vista, toda vez que Game of Thrones (a série) tenta se apropriar de agendas de direitos humanos e minorias ela falha porque o fã médio não traduz o texto como crítica. Porque o texto é ruim. Loras sempre foi alvo de piadas na série, e sempre será. Assim como a gravidade das cenas de estupro nunca são lidas como os produtores entendem. Enquanto o discurso continuar a ser alegórico, fetichista, raso as pessoas não vão se importar com o que acontece a Loras e consequentemente o que a mensagem desse plot expressa. Portanto, não só furado, esse plot do Loras herdeiro também muito ruim. Pelo menos por enquanto.

Atualização: O leitor Red Dragon lembrou uma coisa muito importante que discutimos no Podcasteros do episódio 5.06 “Unbowed, Unbent, Unbroken”: não é estranho que a evidência para a condenação de Loras tenha sido o fato de que Olyvar, um escudeiro, conheça sua marca de nascença? No universo das Crônicas é bem comum que escudeiros – ou até servos comuns – vejam seus respectivos senhores sem roupa em situações do dia-a-dia, como banhos, trocas de armadura/roupa ou uma festa no bordel do Mindinho. Isso fica bem evidente nas Aventuras de Dunk e Egg.  Fim da Atualização.

6. QUANTOS MEMBROS DA GUARDA REAL SÃO NECESSÁRIOS?
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Na segunda temporada de Game of Thrones, Myrcella é enviada para Dorne na companhia de um membro da Guarda Real em 2.06 “The Old Gods and the New”. Nos livros quem a acompanha é sor Arys Oakheart e ele fica ao lado da princesa para protegê-la o tempo todo, afinal de contas ela tem sangue real e não é uma garota qualquer. Por direito ela pode e deve levar sua guarda consigo. Mas na cena do episódio 5.04 “Sons of the Harpy” (que ilustra o tópico), Tommen está sendo escoltado por cinco homens do manto branco. Na Guarda Real, segundo cânone da série e livros, são sete os homens escolhidos para fazer parte da honraria de um rei. Então Tommen tem esses cinco caras, mais Jaime (que estava em Dorne) e Meryn Trant (que estava em Bravos), mais Arys Oakheart que deveria estar em Dorne. Nessa conta, são oito homens, quando deveriam ser sete. Na série, quando encontramos Myrcella em Dorne, vemos que ela não tem guarda nenhum. Onde ele foi parar? Talvez Arys tenha voltado para Porto Real e a conta no final das contas bate. Seja como for, por motivos de enquadramento e cinematografia, essa cena ficou bem mais legal com cinco guardas do que ficaria com quatro. Infelizmente, nenhum deles parece ter nada que os faça merecer vestir o manto branco.

Vale lembrar que no episódio 1.10 “Fire and Blood”, nove membros da Guarda Real são vistos em tela enquanto Joffrey tortura Marillion (quatro guardam a porta e cinco estão ao lado do rei). E olha que Barristan tinha acabado de ser mandado embora e Jaime não estava presente. Quantos são os membros da guarda real de um rei? O quanto o enquadramento de cena desejar.

7. AS BATATAS DA MÃE DE OLLY

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A mãe de Olly preparava para o jantar deliciosas batatas quando os selvagens chegaram em seu vilarejo e passaram todos na faca e na flecha no episódio 4.03 “Breaker of Chains”. Mas não existiam batatas na idade média, principalmente no período e geografia em que Westeros se inspira. Batatas são nativas da América e só chegaram na Europa no fim do século XV. George R. R. Martin não incluiu batatas em seus livros, mas incluiu dragões, então a gente pode deixar essa passar. Além disso, nos livros Martin também usa ‘peru’ e ‘abóbora’, ítens que não existiam na europa neste período.
Mas a culpa das batatas não deve cair apenas em cima da mãe de Olly. Sor Bronn também cita sua existência em Westeros no episódio 2.08 “The Prince of Winterfell”.

Atualização: Um de nossos sábios leitores, Wesley, sugeriu que as batatas poderiam vir de alguma das ilhas que são claramente inspiradas nos continentes americanos. Em tempo, como o parágrafo acima denota, estamos falando de ficção. Sabemos que as batatas são um detalhe superficial. Esperamos que entendam e que não levem as batatas tão a sério. O Olly levou e olha só no que deu. Fim da Atualização.

8. A ORAÇÃO DE ARYA STARKarya_pray

Arya tem aquela oraçãozinha, aquele mantra, aquela parada sinistra de ficar colocando nomes em uma lista mental de pessoas que ela quer matar um dia. Muitos dos nomes que ela coloca nessa lista o Deus da Morte acaba levando mesmo sem que ela interfira. Essa lista vive mudando e, no episódio 5.02 “The House of Black and White”, a lista já estava bem editada: “Cersei. Walder Frey. O Montanha. Meryn Trant.” – são os nomes que ela fala.

Joffrey, e o Cão saíram da lista por motivos de #valarmorghulis (morreram e ela sabe disso). O nome de Ilyn Payne foi excluído, provavelmente em respeito ao ator Wilko Johnson que teve que sair da série pra tratar de um câncer. Tywin também saiu, mesmo sem ela saber o que aconteceu com ele, talvez os produtores quisessem honrar a memória de Charles Dance. Ela também excluiu os nomes de Melisandre, Beric Dondarrion e Thoros de Myr, estes sem motivo aparente. O motivo talvez seja o fato de que Thoros e Beric não aparecem na série desde a terceira temporada e os produtores não quiseram citá-los pra gente não ter que lembrar deles e pensar “Cadê, HBO?”.
A nível de curiosidade, nos livros Arya não adiciona em sua lista nomes de pessoas que ela não conheceu pessoalmente (como Walder Frey).

9. ENTRAR EM VALÍRIA DENTRO DE UM BARQUINHO PARA FUGIR DE PIRATAS

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A ausência de Quaithe em outras temporadas de Game of Thrones é uma das coisas que mais incomodam os fãs de Daenerys. A pequena aparição que a personagem teve durante a segunda temporada foi mais alegórica do que fundamentada. Se fosse cortada não seria problema, porque tudo o que Quaithe disse não teve impacto nenhum nos personagens que a rodearam. Em 2.07 “A Man Without Honor” Quaithe e Jorah conversam em Qarth sobre a traição de Jorah e sobre Pyat Pree. Na ocasião, a mulher mascarada está tatuando um homem que pretende atravessar o Mar Fumegante para visitar as ruínas de Valíria. Fica aqui estabelecido que, se você deseja visitar a terra amaldiçoada, é preciso ser louco o bastante para fazer uma tatuagem sinistra com Quaithe. Ninguém navega por Valíria. Ninguém ousa ir. Isso é dito pelos próprios roteiristas da série no vídeo de História e Tradição da 1ª temporada sobre dragões.

E o que Jorah faz na primeira oportunidade? Isso mesmo, ele atravessa a porcaria da cidade de barquinho, para fugir de piratas.  O mais triste é ver que ele não encontra nada ali, além de Homens de Pedra. Todo uma mitologia simplificada de maneira bastante incoerente.
A cereja do bolo talvez seja ver Jorah contrair sua doença tão instantaneamente. Mas pra quem atravessou Valíria de barquinho, tudo pode acontecer.

10. EGG É PAI DO REI LOUCO? QUEM FOI ORYS I? E MAEGOR III?

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No cânone da série de TV, Egg (Aegon V) foi pai de Aerys II, o Rei Louco. Isso porque meistre Aemon diz isso a Jon Snow no episódio 1.09 “Baelor”. Bryan Cogman, editor dos roteiros da série, confirmou em entrevista ao Winter is Coming há muito tempo que realmente essa é a estrutura criada para a série. Fica claro que, fazendo isso, os roteiristas encontraram uma maneira de aproximar Aemon e Egg de Aerys II, Rhaegar e Daenerys. Como Aemon morreu sem nenhum tipo de ligação com a “sobrinha neta”, fica difícil entender qual foi o real sentido disso tudo. Talvez eles pensaram em uma série prequela de Dunk e Egg? Ou em flashbacks? O mais estranho em toda essa história é o fato de que Aemon teria que ter, no mínimo, 10 anos a mais do que sua idade real para que essa cronologia fizesse sentido. Mas ele não tem, e morre na série com 103/104 anos, idade aproximada dos livros (onde ele morre com 102).
Seja como for, toda a geração de Jaehaerys II teria sido eliminada da história. O que é uma pena, porque a família Baratheon é ligada aos Tagaryen por causa de Rhaelle Targaryen, irmã de Jahaerys II, que casou-se com Ormund Baratheon. Sendo assim, Rhaelle é avó de Robert, Stannis e Renly. E isso torna a Rebelião de Robert muito mais interessante.

E ainda temos mais dois exemplos de desvio da árvore genealógica original de Westeros. Orys I e Maegor III, reis que nunca existiram nos livros, mas existiram na série.
Orys I é citado por Tywin Lannister no episódio 4.04 “Oathkeeper”. Em um diálogo com Tommen enquanto o corpo de Joffrey é velado, Tywin fala que agora Tommen será rei. E pergunta ao neto quais qualidades um rei deve ter. Tommen primeiro cita “justiça”, e Tywin aponta:

“Orys I foi justo. Todos aplaudiram suas reformas. Nobres e plebeus. Mas não por muito tempo. Ele foi assassinado em seu sono em menos de um ano por seu próprio irmão. Isso foi realmente justo da parte dele? Abandonar seus súditos a um mal que ele foi ingênuo demais em reconhecer? “

Bem… nunca existiu um Orys rei na dinastia Targaryen. O único Orys citado nos livros é um Baratheon. Na época em que o episódio foi ao ar, Elio do Westeros.org disse que, muito provavelmente, devemos interpretar o texto de David e Dan como um Orys que foi rei em algum lugar qualquer antes da família Targaryen conquistar Westeros. Um rei que deixou seu povo em mãos tão inábeis que é lembrado até hoje, centenas de anos depois.

Maegor III é citado no episódio 5.09 “A Dance of Dragons” em uma conversa entre Mace Tyrell e Tycho Nestoris. Mace fala que Maegor III tentou banir a prática da usura, e saiu cortando as mãos daqueles que eram pegos tentando fazer empréstimos em seu reinado. Acontece que apenas um rei levou o nome de Maegor nos livros, e ele foi um homem terrível demais para ser homenageado por sua casa mais tarde, e não uma, mas duas vezes. Martin contou recentemente em seu blog que Bryan Cogman, o especialista no cânone da série, dificilmente deixaria algo desse tipo passar batido no texto. No entanto, o ator Roger Ashton-Griffiths afirmou que o nome estava escrito exatamente assim no roteiro do episódio .

11. O USO DA LÍNGUA EM MEEREEN

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Pichação existe desde que mundo é mundo. Desde as paredes do paleolítico (comunicação), até império romano (vandalismo e propaganda), passando pela idade média também.

Em Game of Thrones, temos essa cena em que os Imaculados picham a frase “kill the masters” com sangue as muralhas da cidade no episódio 4.04 “Oathkeeper”. No nosso mundo real, esse conceito de pichação como ato de guerra, ganhou forma durante a revolução francesa. Então por que Game of Thrones mostra isso em um tipo de sociedade onde quase ninguém sabia ler e escrever?

Aliás, o uso do grafite também é usado pelo Fé Militante no bordel de Mindinho. E escrever isso na língua comum, como se Meereen precisasse ainda mais da apropriação cultural de Daenerys é bizarro. Licença poética, sim.

Mas aí, temos outros momentos onde Daenerys se perde na tradução. São apenas detalhes, a gente sabe que a série faz um trabalho bom valorizando o valiriano e o ghíscari e criando línguas específicas para a Baía de Escravos. Mas são detalhes que existem. Daenerys falando na língua comum com seus dragões. Ela solta um ‘easy, easy‘ para Rhaegal e Viserion no episódio 5.01 “The Wars to Come“. Isso com certeza deve ter sido algo improvisado na hora da cena. Aliás, algumas vezes na hora de filmar o diretor percebe que a fonética do valiriano não está dando certo e aí ele pede para David Peterson mudar a palavra. Dessa vez pode ter sido para o inglês, mas já aconteceu de mudarem do valiriano para o dothraki, como no episódio 5.10 “The Dance of Dragons”.

Sobre isso, o proprio criador da língua explicou o que aconteceu em seu blog. Quando Dany sobe nas costas de Drogon e comanda “valahd”, ela não está falando valiriano. Ela está falando em inglês e a série inventou uma palavra e a colou na pós produção. A palavra ‘voe’ em valiriano (sōvētēs, no plural) já havia sido usada na série no episódio 2.10 “Mhysa”. Dessa vez os produtores queriam usar outra coisa, mas o resultado não ficou natural na cena, pois Emilia Clarke acaba falando a palavra “fly” mesmo (assista). Então, eles inventaram uma palavra que combinasse com a fonética do inglês, no caso, a tal da “valahd” que não existe no vocabulário valiriano, mas lembra a palavra “horizonte” do vocabulário dothraki. E colocaram o tal do ‘valahd’, dublando a palavra em cima da cena.

Sobre o encontro de Dany com Rhaegal e Viserion em 5.01 “The Wars to Come“: Este foi o primeiro episódio da história da série em que vimos os nomes dos dragões serem proferidos. Por isso é tão comum ver pessoas chamando os dragões de ‘o dracarys preto’, ‘o dracarys verde’ e o ‘outro dracarys’. O nome de Drogon também demorou para ser proferido em cena, tendo sido mencionado pela primeira vez no episódio 4.10 “The Children”. Em entrevista os produtores disseram que isso aconteceu por ser simplesmente difícil encaixar o nome dos dragões em diálogos. Então tá bom.

12. O ESTRANHO CASO DO BEBÊ QUE NÃO CRESCE

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Gilly dá à luz a seu filho no episódio 3.03 “Walk of Punishment”. No episódio 5.10 “Mother’s Mercy”, o bebê ainda tinha a mesma aparência de quando o vimos pela primeira vez. Tyrion viaja de Westeros para Pentos, Myrcella passa anos em Dorne, Tommen ganha idade para fazer sexo, Drogon cresce dez vezes o seu tamanho, Mance Ryder chega ao punho dos primeiros homens dizendo que acenderá a maior fogueira que o Norte já viu, some durante temporada inteira, volta pra acender a fogueira, passa por duas batalhas épicas, é capturado, preso, morre queimado, Jon vira comandante, salva o povo de Durolar, volta, conta tudo pra Sam. Mindinho se teletransporta pelo continente inteiro. Mas o bebê de Gilly não envelheceu um dia.

13. O TELETRANSPORTE DE MINDINHO

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Mindinho é um caso complicado em Game of Thrones. Um dos personagens mais sacrificados por causa da adaptação (veja o que Martin falou sobre a diferença do personagem em relação a série), ele tem que viajar por toda Westeros o tempo todo na série de TV. Ainda na primeira temporada, David e Dan descobriram que uma maneira bem esperta de se economizar na produção dos episódios é usando a técnica do diálogo textão interminável. Dois atores, um cenário interno, seis minutos de textão. Na época, foi o que salvou a série. O piloto de Game of Thrones precisou ser refeito e eles usaram esse recurso para que a história fizesse sentido pra quem não havia lido os livros. É bem fácil de entender: Nos livros estamos dentro da cabeça dos personagens. Na série de TV não tem como, por mais que o ator ou atriz sejam excelentes. Então diálogos resolvem as coisas. E aí que todo diálogo com Mindinho rende cenas bem icônicas pra série, logo, ele meio que é usado pra caramba. Mindinho parece que chega pra explicar, unir, ser as fatias do pão que fazem da história um saboroso sanduíche. Mas para que esses diálogos aconteçam, Mindinho precisa estar em todo lugar. E como ele faz pra estar em todo lugar? Ué, ele viaja. Como? Se teletransportando em tempo recorde.

  • As viagens de Mindinho nos livros: O conhecemos como mestre das moedas em Porto Real. Em A Fúria, ele viaja para Ponteamarga para fazer uma aliança com os Tyrell. No fim do livro, ele volta para a cidade e aproveita para levar Jeyne Poole para sabe-se lá onde. Em A Tormenta ele parte para casar-se com Lysa, mas na verdade enrola nos arredores da cidade até o casamento de Joffrey. No fim do livro ele recebe Sansa em sua fuga de barco, a leva até os Dedos e depois os dois rumam para o Ninho Da Águia. E lá estão até hoje, planejando altas confusões.

 

    • As viagens de Mindinho na série: Primeira temporada, Porto Real, mestre das moedas. Segunda temporada, ele encontra os Tyrells no acampamento de Renly. Depois parte para Harrenhal, onde encontra Tywin, para firmar o acordo entre os Tyrell. E então volta para Porto Real. Lá ele ludibria Sansa, finge que vai embora mas também a espera nos arredores quando ela foge com Dontos do Casamento de Joffrey. De lá eles partem para o Vale.
      E então finalmente vemos que o personagem está estabelecido no Vale, aproveitando dos frutos de seu árduo trabalho, se preparando para o inverno? Mas é claro que não. Ele leva Sansa para Winterfell. Convence ela a ficar porque Ramsay será bom com ela e, se ele não for, ele tem certeza que Sansa saberá domá-lo. E ele também tem certeza que Stannis chegará logo para acabar com os Boltons. E agora que ele deixou tudo acertado, ele viaja para Porto Real. Lá, convence Cersei a lhe dar mais sabe-se lá quantos territórios, conta tudo sobre Sansa e ainda arranja um tempinho para tramar com Vovó Olenna sobre o vindouro julgamento da Fé.

Tudo isso poderia ser resolvido com corvos? Sim. É possível viajar por Westeros desse jeito? Não. Westeros é perigosa, mesmo para os melhores tipos de cavaleiros. Mindinho não é cavaleiro nenhum, mas tem a “sorte” de jamais se encontrar com nenhum desses perigos.

14. OUTROS TELETRANSPORTES, ENCONTROS E DESENCONTROS

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Um ideal muito forte que dá estrutura pra história de George R. R. Martin é o lance do ‘cavaleiro andante’. Em um universo tão grande e vasto, é preciso colocar seus personagens nas ruas, campos, estradas e pousadas, para a história literalmente andar. A série de TV sempre dá um jeito de manter essa estrutura, e não teria como ser diferente: Dany, Arya, Bran, Tyrion, Brienne, Jaime e até Melisandre. Todo mundo já saiu pra viver suas aventuras, sendo jogados de um lugar para o outro. E todo mundo se f0d3 pra [email protected]@lh0 em suas andanças (menos Mindinho, é claro).

Nem sempre a série de TV consegue manter uma veracidade espacial quando cria a adapta cenas como essas. Na primeira temporada da série, Catelyn viaja de Porto Real até o Vale dentro de três episódios. Isso mostra o quanto a série realmente precisa correr para contar sua história, o que até torna o lance do Mindinho mais realista. Assim como Melisandre, que parte de Pedra do Dragão no episódio 3.03 “Walk of Punishment” (com aquele diálogo com Stannis onde ele manda um ‘Your fires burn low, my king’) e chega ao seu destino no episódio 3.06: “The Climb”. Lá ela pega Gendry e volta pra casa em 3.08 “Second Sons”.  Mas, ao mesmo tempo, Arya e o Cão viajam das Gêmeas até o Ninho da Águia durante uma temporada inteira.

Arya e Cão demoraram uma temporada inteira para viajar das Gêmeas até o Vale. Mas Mindinho viaja do Vale para Winterfell e depois para Porto Real em 3 episódios na 5ª temporada. E Catelyn Stark fez a viagem inversa: de Porto Real ao Vale em 3 episódios. De repente, na cabeça do espectador, não há motivo pelo qual Dany não ter subido nas costas de Drogon pra dar uma espiada em Westeros. Se é rápido pra todo mundo, ela poderia ir e voltar em um mesmo dia. Aí é que está: Dany não pode fazer isso porque seria vista. Ou seja, viajar é perigoso. Mas personagens como Mindinho e Brienne nunca passam por verdadeiros apuros em suas viagens. Se Westeros é tão boa com eles, porque não pode ser para outros personagens?

Sobre Brienne, o arco dela as vezes acaba sendo extremamente circunstancial. Ela encontrou Arya e Sansa em um curtíssimo período de tempo e com muita sorte. Todos os outros personagens que estavam próximos a região que ela se encontra foram esquecidos. Como Beric Dondarrion e sua Irmandade, além do tio Brynden “Peixe Negro” Tully. Brynden está sabe-se lá onde (seu arco dos livros foi cortado, já que o cerco a Correrrio não ocorrerá, o castelo já é de Walder Frey), e todo o imediatismo de resolver a questão dos Tully após o Casamento Vermelho foi para o ralo da continuidade.

Algo que é inerente ao período medieval e principalmente ao período de guerra é a criação daqueles personagens que são os ‘sem bandeiras’, os ‘saltimbancos’, os ‘leleks da zoeira’. A galera que sai nas ruas querendo fazer justiça com as próprias mãos, ou querendo fazer violência em nome do rei (alô Montanha). São esses pequenos conflitos dos heróis contra os pequenos bandidos que ajudam a acumular XP para esses personagens enfrentarem o boss. Histórias de capa e espada são assim. Arya e Brienne foram transformadas em seus arcos por isso. Não há motivo pelo qual Brienne não tenha encontrado personagens desse tipo durante as duas últimas temporadas.

A notícia boa é que a sexta temporada parece que será a temporada que dará forma para esse sentimento abstrato. De acordo com os casting calls, veremos muitos personagens do tipo “cavaleiro sem estandarte”, muita gente na rua procurando briga, além de novos senhores nortenhos. Quem sabe o retorno dos esquecidos Brynden, Beric, Thoros, Gendry? Com tanto personagem morto, talvez haja espaço para eles agora.

Ainda sobre a questão de viagem e o tempo que elas levam para ser feitas, a quinta temporada de Game of Thrones foi bastante inconsistente. No mesmo episódio em que Cersei vela o corpo do pai, vemos Tyrion chegando a Pentos. Esses acontecimentos deveriam acontecer com meses de diferença. E ainda vemos Melisandre desertar Stannis e correr para a Muralha, chegando lá antes que um corvo carregue uma mensagem contando tudo o que aconteceu. Conveniências.

15. O CASAMENTO DE ROBB E TALISA PELA FÉ DOS SETE

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Talisa Maegyr é uma personagem original criada para a série. Nos livros, Robb se casa com Jeyne Westerling, herdeira dessa casa que é juramentada aos Lannisters. Lá a personagem está viva e não foi com o seu rei para o Casamento Vermelho. Nos livros faz um certo sentido Robb casar-se com a moça perante a Fé dos Sete, já que ele deflorou-a embaixo do teto dela, e como gosta de ter a honra limpa, acertou a união as pressas pra não ficar feio com os pais dela. Mas Talisa… não é Jeyne. Não é Westerling. Não é, sequer, westerosi. A personagem veio de Volantis. Então a gente junta o REI DO NORTE com uma volantina e… casamos os dois perante a fé dos Sete. A cerimônia acontece no episódio 2.10 “Valar Morghulis”, e é uma das cenas mais bonitas da série. É bonita, mas não faz o menor sentido. Bryan Cogman justificou a cena dizendo que Robb é filho de Catelyn, e foi criado pelas duas religiões.

Aliás, essa não foi a primeira vez que um nortenho esqueceu de onde veio na série. No episódio  2.08 “The Prince of Winterfell”, Lorde Rickard Karstark fala sobre fazer um sacrifício ao Pai, uma das entidades dos Sete:

I lost one son, fighting by your son’s side. I lost another to the Kingslayer, strangled with a chain. You commit treason because your children are prisoners? I would carve out my heart and offer it to the Father if he would let my sons wake from their graves and step into a prison cell. I don’t want your grief, I want my vengeance, and you stole it from me.Rickard para Catelyn, por ter libertado Jaime.

O plot de Robb e Talisa deixou um gosto amargo depois que a teoria sobre as cartas que ela escrevia para mãe não ter sido confirmada. Eu, pessoalmente, era entusiasta dessa possibilidade. E falando em cartas…

16. AEMON, DAENERYS E OS DRAGÕES TARGARYEN

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Nos livros Aemon descobre sobre Dany e seus dragões. Na série ele apenas ouve falar de Dany. Por que Sam não é informado sobre os dragões na carta que recebe e divide com Aemon? Que coisa triste ver Aemon partir da série sem saber que o maior sonho da vida de seu irmão Egg finalmente se realizou, e os dragões voltaram a existir nesse mundo.

A carta que Sam recebe no episódio 5.05 “Kill the Boy” é praticamente ilegível (clique aqui para ver) mas seu carimbo possui três correntes, o que pode significar que a mensagem veio da Cidadela. Sam lê o seguinte do pergaminho:

And though Daenerys maintains her grip on Slaver’s Bay, forces rise against her from within and without. She refuses to leave until the freedom of the former slaves is secure.

Se chegarmos mais perto, vemos que Sam leu apenas as duas primeiras linhas para Aemon. O restante da carta não é revelado. Descobrimos no tópico sobre Robb e Talisa que cartas misteriosas não costumam revelar muito. Mas seria interessante ver Sam ter esse súbito interesse em ir para a Cidadela pelas informações que pode estar recebendo sobre dragões.
Toda essa questão de corvos em Game of Thrones é problemática. Aemon saber sobre Daenerys e não saber sobre os dragões foi muito estranho. E é uma pena. E como Aemon consegue ficar sabendo de notícias do outro lado do mundo enquanto Jon não parece fazer A MÍNIMA IDEIA de que Sansa está sendo violentada ali mesmo, embaixo de seus olhos? Winterfell ficou sem corvos depois que Theon mandou matar todos na 2ª temporada?

17. O CASO DO COLAR RARO QUE NA VERDADE TODO MUNDO TEMocolardemyrcella

Assim como as cartas de Talisa, todo mundo queria acreditar nessa super reviravolta de roteiro, que nunca aconteceu, provando-se apenas um furo. No episódio 5.02 “House of Black and White”, Cersei exige que Jaime parta para Dorne em busca de Myrcella. O desespero de Cersei vem da ameaça recebida pelos Martell, uma víbora que exibia em suas presas o colar da herdeira Lannister. Cersei diz a Jaime na cena que existem apenas dois colares como aquele nos Sete Reinos. Um de Cersei e um de Myrcella.

Mas a gente sabe que isso não é verdade. Sansa recebe um colar Lannister de Joffrey, seu prometido, no episódio 1.06 “A Golden Crown”. “É belo, como aquele que sua mãe usa”, diz Sansa para o príncipe. No episódio 3.08 “Second Sons”, ela também o usa em seu casamento. No episódio 1.05 “The Wolf and the Lion” vemos Ros mostrando o seu colar Lannister a Theon. Ela conta que foi um presente de Tyrion.

Tyrion também deu um colar parecido para Shae, e por isso Cersei prende Ros em 2.08 “The Prince of Winterfell” achando que ela é a amante de Tyrion.
Se esse não era um pingente tão raro na casa Lannister, Cersei poderia claramente ter ludibriado Jaime a ir a Dorne, quando Myrcella não estaria verdadeiramente em perigo, e aquela víbora seria um artefato falso para tirá-lo de Porto Real e forçá-lo a trazer Myrcella de volta, deixando Cersei reinar em paz por um tempo. Esse seria um plot interessantíssimo. Mas não foi, pois sabemos que Ellaria realmente roubou o colar e enviou a ameaça, como foi revelado no episódio 5.09 “The Dance of Dragons”.
E já que estamos aqui, vamos falar de Ellaria.

18. O ESTRANHO CASO DA PERSONAGEM COM DUAS PERSONALIDADESellaria_sand_diff

Em uma cena da quarta temporada, Ellaria é uma pessoa. Na temporada seguinte, uma pessoa completamente diferente. A morte de Oberyn, seu grito de desespero (uma das imagens mais fortes e terrivelmente tristes da TV) foi o que a moveu na direção oposta de suas motivações na série. Isso pode ser compreensível em certo ponto, mas não no sentido da narrativa como um todo.

O meu ponto aqui é: Na guerra dos tronos, a grande maioria dos personagens são relacionáveis por possuírem tons de cinza. Temos Joffrey e Ramsay que são apenas negros. Mas sempre foram assim, e é essa a ideia. Ellaria, no entanto, não. Ela era interessantíssima, à frente de seu tempo em tantas questões (bastardia, incesto, feminismo). Na própria série de TV ela é anti-violência, tentando fazer Oberyn não entrar em conflitos. Há um momento de trágica violência, onde ela perde seu amor, de uma maneira brutal e inacreditável. Há o grito de horror. O dela e o nosso. Ela, como personagem, é rompida, quebrada, despedaçada. E como ela responde a isso? Se transformando em uma criança, contradizendo tudo o que acredita. Como se, primeiramente, a única coisa que a definisse como ser humano fosse Oberyn. E tendo exatamente a MESMA atitude que alguém sem inteligência teria se passasse pelo mesmo tipo de trauma: o de machucar uma criança, uma mulher como ela, indefesa, para manipular uma guerra. Esse tipo de agenda já é visto em Game of Thrones em diversos outros personagens, como Cersei por exemplo. Mas, o bacana nessa história é ver que, a cada personagem novo, vivemos um mundo novo. Se for pra viver o mesmo de sempre, pra que servem personagens novos?

Acho que, talvez, todos nós conseguíssemos comprar um ideal de vingança de Ellaria se ele fosse elaborado com menos contradições. Não é natural trocar de personalidade em um período de tempo tão curto, seja lá qual tenha sido o twist na sua vida. Ellaria é apenas um exemplo de como os dorneses da TV parecem não saber o que fazem. Não foi esse tipo de atitude que fez com que Dorne fosse o único reino não conquistado pelos Targaryen.

Mas somos fãs de Indira Varma. Atriz fantástica, merecia algo melhor.

19. VARYS E ILLYRIOvarys_illyrio_season1

Ah, Varys. Enquanto nos livros suas intenções são completamente turvas e difíceis de ser decifradas, na série de TV temos o personagem afirmando que esse tempo todo lutou para que Dany se sentasse no Trono de Ferro. E essa sempre foi sua agenda. O problema com esse discurso, que chegou com a quinta temporada, é o fato de que Varys pretendia matá-la na primeira temporada da série. Pediu para que Jorah a espionasse, ludibriasse e mandasse notícias, e não que a protegesse. Ou ainda na quarta temporada quando ele avisa Tywin sobre os dragões, alertando-o.

A cena que ilustra esse tópico é do episódio 1×05 “The Wolf and The Lion”. Em um momento exclusivo da série, vemos Arya observar os dois homens conversando (nos livros, não nos é revelado explicitamente que que se trata dos dois na cena, apesar de Martin já ter confirmado em entrevista). Na conversa, eles falam sobre a guerra civil entre Lannisters e Starks que está batendo à porta, e Illyrio diz que aquela não é hora de guerra, pois Khal Drogo não está pronto para deixar sua terra. Varys no entanto acha que a hora chegou, e que os dothraki precisam mover-se rápido. Varys diz: “Esse não é mais um jogo para dois jogadores.” Illyrio responde: “Nunca foi”.  Se Varys estivesse apoiando Dany durante todo esse tempo, seria mesmo inteligente facilitar algo para Drogo? Dothrakis estupram e pilham. Dany seria instantaneamente odiada, todo mundo a veria como uma selvagem. Esse não tem como ser um plano viável.

Do que eles estavam falando na verdade, você sabe se leu A Dança dos Dragões. A série de TV excluiu um importante personagem dos livros e, fazer com que Varys apareça como o grande apostador de Dany a essa altura do campeonato não faz sentido. Se ele realmente estivesse planejando isso, Dany já poderia ter chegado a Westeros. Nessa entrevista aqui, o Conleth Hill foi questionado sobre a mudança nas motivações do personagem, antes da quinta temporada ir ao ar. Se ele queria matar Dany, como assim agora ele desde o começo torce por ela? Ele conta que “a cada indivíduo é permitido mudar de idéia” e cita o fato de que a série excluiu personagens e precisou fazer mudanças. “Essa é a minha maneira evasiva de dizer que eu não sei!“, completou.

Tyrion, quando fala sobre isso com Daenerys em 5.08 “Hardhome”, afirma que Varys teve que fazer isso para sustentar sua própria sobrevivência em Porto Real. Mas Varys sabe todos os caminhos, todas as maneiras, conhece todas as pessoas. Ele realmente precisava ser esse tipo de agente triplo? Se fosse o caso, precisava fazer Jorah de bobo durante tanto tempo?

Além disso temos a ausência de Illyrio na série de TV para a 5ª temporada. Como é que o maior financiador de Daenerys “não está em casa” no momento em que ela mais precisa?

 20. IMACULADOS SENTINDO DOR E SENDO RUINS COMO GUERREIROSimaculados_dor

A cena da morte de Barristan foi dolorida para espectadores e exército de Imaculados na mesma intensidade. Pelo menos a vulnerabilidade de Verme Cinzento se justifica pela relação de amor que tem com Missandei, e o medo que tem de morrer por conta disso. Comprando ou não essa ideia, é fato que Raleigh Ritchie é muito bom em cenas de luta (vide episódio 3.09 “Rains of Castamere”). Então sugeriram no roteiro que o cara tem sentimentos por alguém, e que isso agora o define. Tudo bem, é humano e é bonito. Mas o que dizer de todos os outros mi-lha-res de guerreiros comprados por Dany que meio que não estão servindo pra nada? Verme Cinzento é bom no que faz e tem suas fraquezas. Todos os outros Imaculados só têm a parte das fraquezas.

Aquelas ruas de Meereen (onde vimos a morte de Barristan, por exemplo) são cenários naturais em Split, na Croácia. Filmar na Croácia é uma parada complicada, porque os sets são estreitos e irregulares. Podemos até considerar que filmar cenas de luta ali é difícil pra caramba e o resultado nem sempre é o melhor de todos. Mas a cena dos Imaculados na arena em 5.09 “A Dance of Dragons” foi feita em Osuna, em uma arena de touradas grande e espaçosa. Por que eles estavam tão ruins ali também?
Lembrando que, na cena dos livros, não temos Imaculados na arena, porque não temos Filhos da Harpia na arena. Qual a motivação, qual a ideia, o que tiramos no final das contas de um momento desse porte onde Dany não se sente protegida por seu próprio exército?

20.1. BÔNUS: Na cena da arena, os Filhos da Harpia matam seus próprios colegas mestres escravos. O que isso quis dizer? Talvez seja respondido na 6ª temporada. Tem que ser.

21. OS LANNISTERS ESTÃO POBRES DESDE O COMEÇO DA HISTÓRIA E NINGUÉM REPAROU
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No episódio 4.05 “First of His Name”, Tywin anuncia para a filha que os Lannisters não possuem mais riquezas, e que a última mineração frutífera em Casterly Rock aconteceu há três anos. No passo em que a série anda, seria como se em A Guerra dos Tronos os Lannister já tivessem começado pobres. É isso mesmo.

Nos livros Tywin e os outros Lannisters jamais afirmam tal coisa. Aliás, Kevan sugere que os Lannisters usem seu próprio dinheiro para aliviar as dividas da coroa. Se não houvesse mais ouro, tio Kevan não mandaria essa. E mesmo que a gente venha a descobrir isso, estar pobre há tanto tempo não teria como ser segredo. Para minerar ouro é necessário empregar muita gente. Esses homens que serviam de mão de obra, agora sem emprego, fariam o que com suas vidas? Como é que Varys, Tyrells, as casas do oeste ou o Banco de Ferro não teriam descoberto isso de alguma maneira?

22. VAMOS FAZER UM ACORDO AQUI ENTRE NÓS DOIS, A GENTE FALA BEM RÁPIDO, NINGUÉM VAI ENTENDER E TODOS VÃO ACEITARroose_bolton_petyr

Essa história toda de Sansa em Winterfell gerou muita confusão. O que muitas pessoas não entendem é que, quando se critica o arco da Sansa em Winterfell, se critica principalmente o esforço fora do comum que o roteiro teve em colocá-la ali. A cena em que mindinho encontra Roose Bolton serviria para os dois firmarem o acordo. Acordo nenhum foi firmado e a série seguiu como se o acordo tivesse sido feito. Aí vem os detalhes:

  • O “não acordo” com Ramsay: Primeiramente, deve-se assumir que Petyr não sabia nada sobre a personalidade de Ramsay. O próprio roteirista Bryan Cogman afirmou que Mindinho não sabia de nada porque Ramsay é um personagem diferente dos livros. Enquanto no texto original ele é um bastardo famoso e temido por sua crueldade e psicopatia, na série ninguém sabe quem ele é. Então Mindinho nunca ouviu falar nas coisas terríveis que ele faz em nome do estandarte do pai. Isso é de fato colocado em um diálogo de Petyr com Ramsay, quando ele literalmente fala para ele: “I haven’t heard much about you” no episódio 5.03 “High Sparrow”. Ou seja, devemos assumir que Mindinho não é tão inteligente como nos foi vendido durante todas as temporadas anteriores. Porque além dele não saber nada sobre os Boltons, ele não se deu ao trabalho de pesquisar. É como se Mindinho fosse um tipo de apostador que não soubesse reconhecer a cor de uma moeda ou seu preço. Ele simplesmente jogasse sua bolsa pra cima e corresse, para depois voltar pra ver o que sobrou.

 

  • O “não acordo” com Roose: Mindinho fez essa proposta para Roose onde ele casaria Sansa com seu herdeiro e a tornaria Guardiã do Norte. Ele assegura que Sansa ainda é virgem e que nunca consumou seu casamento com Tyrion: “Pela lei da terra, ela não é mulher de ninguém.” De onde ele tirou essa lei, eu também não saberia dizer.

Até aqui a gente tem que assumir duas coisas: Que Mindinho é muito burro e preguiçoso por não ter pesquisado a família com quem fez uma aliança, e que Sansa pode ~pela lei~ casar-se novamente. Mas a proposta tem que ser boa para Mindinho e Roose Bolton. Mindinho está dando de graça a única pessoa com que ele se importa e Roose está cometendo traição. A traição do Roose é justificada, ele precisa de Sansa em Winterfell como precisou de Jeyne “Arya” Poole nos livros. Quando começam a discutir isso, Mindinho garante que agora que Tywin morreu, Roose pode fazer o que quiser: Jaime só tem uma mão e é politicamente inútil, Cersei está em guerra com Margaery e perderá, e Margaery ama Sansa e a apoiará. No entanto, não existe motivo para Mindinho fazer esse acordo. O que ele ganharia com isso? A gente sabe que é o Norte. É claro que ele tava de zoeira com a cara de Roose. Mas Roose ficou sem resposta. Quando ele começa a questionar isso chega uma carta da Cersei, Petyr vai embora pra Porto Real e A QUESTÃO É ENCERRADA SEM QUE MINDINHO SE JUSTIFIQUE.

A cena de fato acaba sem uma explicação. Sendo assim, não há um contrato claro entre os dois. Como Roose comprou isso? Como ele deixou Mindinho partir sem uma resposta?

23. SANSA STARK OU ALAYNE STONE: QUEM É ESSA MOÇA?sansa_hair

No episódio 5.01 “The Wars to Come” vemos uma cena entre Sansa, Petyr e Bronze Yohn Royce no Ninho da Águia. A expressão facial e corporal de Sansa são muito peculiares. Ela está entediada e irritada, triste. Olhem bem pra cara dela aqui. Absolutamente o oposto do que vimos em sua última cena na temporada anterior (3.08 The Mountain and the Viper), onde ela está bela, com seu vestido corvo, empoderada e confiante. O que foi que aconteceu com Sansa nesse meio tempo? De um episódio para o outro? Ninguém sabe dizer.

Mas temos essa garota que precisa estar de cabelos pretos para não ser reconhecida em Westeros. E o que acontece na primeira vez em que ela para para fazer um desjejum na estrada? É reconhecida por sua pseudo-heroína, Brienne. E logo depois colocada em Winterfell para casar-se com Ramsay. E logo depois tira o castanho dos cabelos para voltar a ter o ruivo Tully que sempre nos admirou.
E então perguntamos a vocês: Para quê serviu Sansa pintar os cabelos na série de TV?
E falando em estuprar mulheres só pra servir plots furados…

24. A TRISTE HISTÓRIA DE TYSHA, SHAE E GILLYshae_gilly

Aqui teremos que analisar a sutil diferença que existe na série em relação aos livros.
Em A Guerra dos Tronos, Tyrion conta como conheceu sua antiga esposa Tysha para Shae e Bronn. Que ela estava sendo perseguida, Tyrion a salvou e logo depois os dois ficaram juntos. Se casaram (Tyrion tinha 13 anos) e depois Tywin fez Jaime contar ao irmão que a garota era uma prostituta contratada, fez sua guarda pessoal estuprá-la e Tyrion estruprá-la por último. Em A Tormenta de Espadas, Jaime revela ao irmão que Tysha era realmente uma órfã e que Tywin o fez mentir para Tyrion para lhe ensinar uma lição.

Essa cena acontece no episódio 1.09 “Baelor”. Tyrion conta a mesma história e, ao texto, foi adicionado uma complexa fala de Shae. Ela diz que Tyrion “deveria ter sabido que ela era uma prostituta, pois uma menina não convidaria outro homem em sua cama depois de quase ser estuprada.”
A série eliminou a revelação que Jaime faz a Tyrion nos livros. Isso faz com que Shae estivesse certa sobre sua anedota sobre a esposa de Tyrion. David Benioff disse na última Comic-Con que fez isso porque precisaria fazer algo como um flashback e que não teria como desenvolver isso no episódio. Então, aos olhos de todos os espectadores, Shae estava certa e Tysha era realmente uma prostituta. Todo comportamento de Tywin é de certa forma validado. Não há mais memória de Tysha, nem a compreensão de que aquilo foi a mais pura escrotidão humana vezes mil.

Mas a questão é a seguinte. No episódio 5.07 “The Gift”, Gilly faz exatamente o que Tysha supostamente fez nos livros. Ela se deitou com Sam imediatamente depois de ser abusada por patrulheiros em Castelo Negro. Se Gilly fez isso, quer dizer que ela é como uma prostituta, desapegada do próprio corpo? Essa frase é justa com Gilly ou Tysha, mesmo que ela usasse seu corpo para ganhar dinheiro?

25. A IDADE DE TOMMEN E O OS RECASTStommen

Sempre que rola um recast muita gente se chateia. Gostando ou não da série de TV, todo mundo se apega demais ao elenco e deve ser daí que as insatisfações surgem. No ano passado fizemos um post sobre o assunto aqui no site: Já trocaram Daario Naharis, Montanha Clegane, Tommen, Beric Dondarrion, Selyse Baratheon e Rickard Karstark. De lá pra cá rolaram mais duas trocas: Myrcella e Camisa de Chocalhos.

Tommen talvez seja a situação mais complicada. Nem o próprio Dean-Charles Chapman sabe dizer ao certo qual a idade de seu personagem. Durante as entrevistas de tapete vermelho na premiere da 5ª temporada o ator disse que seu personagem tinha 17 anos, e depois que tinha 12. Nenhuma dessas informações foram confirmadas pela produção da série e o próprio ator disse que os produtores não compartilharam essa informação com ele. Ele apenas assumiu isso, sem um pingo de precisão como podemos perceber.

No início dos livros Tommen tem sete anos e, no ponto em que estamos da narrativa hoje, o personagem tem entre nove e dez, a mesma idade de Bran. Quando vemos o quanto o ator Isaac Hempstead-Wright (que é mais novo que Dean) cresceu nos últimos anos, fica até mais fácil digerir o recast. Mas a questão não acaba aqui.

Todos os personagens foram envelhecidos em 2 anos para a série de TV. Mas Tommen não foi. Loras fala em uma cena da primeira temporada que o garoto possui oito anos. De acordo com a lógica da série, cada temporada cobre o período de um ano na vida dos personagens. Logo, Tommen hoje teria 12 anos. No entanto, o personagem parece ter bem mais, principalmente por conta das cenas de sexo com Margaery (que não existem no livro). No caso de Bran, a mudança física pode e deve ser atribuída a seu estado mental, seu poder como troca-peles, sua visão verde, sua longa viagem pelo norte, passando frio e fome. O próprio Jojen era descrito como um garoto jovem que parecia um velho por sua gravidade, voz, trejeitos. Tommen, no entanto, só fica ali quietinho tomando seu leite com pêra.

Uma evidência clara que Tommen foi envelhecido no recast é o fato dele não possuir alguém como regente para governar por ele até que ele tenha idade. Nos livros, Cersei é rainha regente, e também foi para Joffrey que ainda não era maior de idade. Na série ela foi regente de Joffrey, mas para Tommen ela é apenas rainha mãe. É como se de alguma maneira estranha, Tommen fosse mais velho do que Joffrey. Se Tommen fosse mais novo do que Joffrey e ainda tivesse a mesma idade de Bran, o conselho estabeleceria que alguém deveria ser regente do rei. Não foi o caso.

A  maioridade em Westeros nos livros é a de 16 anos. Na série, indefinida. No episódio 1.04 “Cripples, Bastards & Broken Things” Sam conta que seu pai o obrigou a sair de casa e se juntar a Patrulha da Noite no dia do seu 18º nome, pois ele era “quase um homem agora”. Nos livros, o pai de Sam o envia para a Muralha com 15 anos. Nessa fala, talvez, Sam tenha estabelecido que a maioridade em Westeros seja a de 18 anos. Poderia ser essa a idade de Tommen?

26. ALIÁS, ROLOU UMA CONFUSÃO COM JAIME: 

Sobre Jaime, como contamos aqui, nos vídeos de História e Tradição ele conta que foi feito cavaleiro da guarda real aos 16 anos, quando na verdade os livros contam que foi aos 15. Até aqui, tudo bem. Mas no episódio 2.08 The Prince of Winterfell, Tyrion disse que o irmão havia sido nomeado por Aerys aos 17 anos. Nos episódios da 4ª temporada, assim como nas animações do blu-ray da série, o livro branco da Guarda Real mostra que Jaime tinha 16 quando foi agraciado pelo Rei Louco. Que confusão.

27. A BUSCA DE JON POR BRAN E COMO É QUE SE ESQUECE DISSO DURANTE UMA TEMPORADA INTEIRA

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A produtores da HBO criaram uma estrutura para o personagem de Jon Snow em que toda temporada ele é enviado para uma quest. Na primeira temporada, sua quest foi sobreviver na Patrulha e fazer seus votos. Na segunda, encontrar o tio e se aliar aos selvagens. Na terceira, escalar a Muralha e fazer aquela trairagem. Na quarta, encontrar o irmão Bran, e… OPA! O que foi que aconteceu com essa quest aqui, pessoal?

Na quinta temporada, a quest foi Durolar. Jon foi feito comandante, ajudou no que pôde Stannis, foi o pai e a mãe de Olly, foi até Durolar, lutou, voltou, foi traído. Em nenhum momento das 10 horas exibidas de Game of Thrones, vimos Jon Snow se lembrar que esqueceu de encontrar Bran do lado de lá da Muralha. Uma temporada INTEIRA baseada numa quest que depois foi esquecida como lágrimas na chuva.

Mas tudo indica que a ligação entre Jon e Bran será um dos temas da 6ª temporada de Game of Thrones. Muitas pessoas acreditam que teremos flashbacks com as visões de Bran, onde poderá ser revelada a origem de Jon. É claro que isso seria espetacular. Mas seria ainda mais doce ver que Jon não se esqueceu do que fez na temporada passada. Que ele não se esqueceu da família antes de ter que morrer.
(Para quem não lembra, a série estabeleceu que Jon sabe a respeito da jornada de Bran além da Muralha no episódio 4.04 “Oathkeeper”, na cena em que ele e Sam discutiam na biblioteca de Castelo Negro)

 28. A RELAÇÃO DA CASA STARK COM SEUS LOBOS X A RELAÇÃO DE DANY COM SEUS DRAGÕESfire_ice

Os livros e a série de TV foram feitos a partir da paixão de seus criadores pela casa Stark. Essa é a grande verdade. George começou a escrever a Guerra dos Tronos depois que sonhou com a cena em que os meninos encontram os filhos de lobo na mata. Bran I, inclusive, foi o primeiro capítulo que George escreveu. David Benioff resolveu que queria fazer a série depois de ler a cena em que Bran é jogado da torre. Aqui está. Bran é o que desperta a curiosidade de todo mundo. É claro que talvez David tenha se apaixonado pelo plot com o incesto (eles realmente curtem essa parada) mas hey, mais fascinante do que a queda de Bran é a maneira como ele é curado pela companhia de Verão. Os Starks sem seus lobos pedem metade da graça, assim como Dany não tinha tanta graça assim antes do final do livro um, onde vemos os baby dragons ganharem vida. Essas coisas são importantes na relação que temos com o que é dinastia, o que são as casas, o que é costume, o que é sangue.

Fantasma desaparecer da companhia de Jon é um erro de continuação dos mais irritantes. OK, orçamento, computação gráfica, animais em set. Mas nem no final? Nem no momento em que Jon morre?

Por outro lado, no vídeo de Por Dentro do Episódio de A Dance of Dragons, os produtores falam com bastante sentimento sobre a relação de Dany e Drogon. Sobre como eles possuem um vínculo, e como Drogon pressentiu que Dany estava em perigo e voou para salvá-la. Por que Dany tem essa relação com Drogon, mas Jon não tem essa relação com Fantasma?

Vale lembrar que no episódio 5.07 “The Gift”, Fantasma faz jus ao nome que recebeu e aparece, do nada, PARA SALVAR SAM.

Agora que trouxemos o tema do Gelo e Fogo, chegou a hora de falar sobre aquela tal de Casa dos Imortais.

29. A CASA DOS IMORTAIS, ONDE ESTÃO MEUS DRAGÕES, ACHEI MEUS DRAGÕES, MAS SUMI COM MEUS DOTHRAKI.casa_imortais

Daí sei o que você está pensando: “Ué? Mas qual é o erro de continuidade aqui? Apenas foram visões diferentes. Pára de querer achar erro em tudo, Game of Thrones BR…”! Mas aí é que está. A cena serviu para Dany deixar Khal Drogo para trás. Todas as outras coisas que ela viu ali trouxeram ZERO influências sobre a vida dela. E olha que a cena talvez tenha entregado que o que Dany encontrará na Muralha será morte. Ela não necessariamente precisava ter adivinhado isso, e isso nem precisa ser verdade. Mas, se essa for uma interpretação, deveria continuar a assombrá-la, a segui-la. E quanto a Drogo, ela realmente deixou ele pra lá: Nunca mais pensou ou falou no nome dele ou do filho. A visão foi mais pro espectador do que pra personagem. Ela atravessa Westeros e passa pelo inverno para encontra-se com Drogo e Rhaego. Nada do que ela viu ali, o fim das coisas, o pó, a neve, a sala do trono, nada disso a fez refletir sobre o futuro. Nada daquilo a fez ser curiosa.

Uma khaleesi sem um khalasar é o que? Uma grande quantidade de dothrakis foi chacinada em Qarth e, o que sobrou dele, nunca mais foi mostrado. Só que agora temos os dothraki encontrando-a, no fim da quinta temporada. Não teria sido mais sábio que a relação dela com a cultura dothraki tivesse sido mais natural? Depois da Casa dos Imortais onde foram parar seus irmãos de sangue que restaram?

30. SANGUESSUGAS DERRUBAM REIS, SACRIFÍCIO HUMANO DERRETE NEVE, OS GREYJOYS VENCEM A GUERRA, ACABOU CASA BARATHEON, CRIME OCORRE, NADA ACONTECE, FEIJOADA

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Stannis ter resistido ao cerco de Ponto Tempestada durante UM ANO INTEIRO comendo sola de sapato, até Davos chegar para salvá-lo com suas cebolas, mas… Não ter resistido uma semana ao frio do norte pode ser considerado furo de roteiro? Nos livros Stannis está em uma situação bastante semalhante na guerra. Ainda não aconteceu a morte de Shireen ou a morte de Stannis e Selyse, mas do ponto de vista temático todas elas fazem bastante sentido para a história. O problema óbvio aqui é como dentro da timeline a série resolver contar essa tragédia. Se você não é um nortenho, dificilmente sobrevive a um frio daqueles. Ao mesmo tempo, estamos falando do mais obstinado líder militar de Westeros. Nos livros Stannis está há 19 dias parado sem conseguir se mexer em uma distância de três dias de marcha à Winterfell. Ele pode morrer assim sem mais nem menos e ser apenas uma página no livro de história de outro alguém? Com certeza. Mas não com tanta rapidez como foi na série de TV. Do ponto de vista narrativo isso seria impossível. Voltamos novamente a relação entre monólogos internos e diálogos. É fácil a gente chegar de um ponto A a um ponto B. O difícil é a gente demonstrar como é que vamos fazer para trilhar esse caminho. Porque se o caminho não tiver uma construção, um significado, ele não é uma história.

O ponto que levou muita gente a ficar meio revoltada com o fim da adaptação do Stannis vem dessa sensação de o quão rápido ele teve que resolver tudo para correr de encontro a espada da Brienne e morrer. Episódios inteiros na Muralha de Jon Snow andando pra lá e pra cá e de repente ele resolveu sair e de repente a neve começou e de repente ele decide queimar a filha e de repente não deu certo e de repente ele morre. Não houve conflito, não houve o momento em que ele desistiu ou decidiu. E aí rolam os efeitos colaterais em ter que desesperadamente tirar Stannis da guerra dos tronos:

✖ Stannis resistir um ano a um cerco, mas não resistir “uma semana” ao frio. Estamos nos repetindo aqui, mas tá ruim de superar.

✖ Esqueceram que Balon Greyjoy existe no lance do ritual das sanguessugas, e ele acabou ganhando a guerra dos Cinco Reis.

✖ Aliás, nas imagens promocionais da Guerra dos cinco Reis na época da segunda temporada, a HBO definiu como os cinco reis da guerra em seu material promocional, incluindo DVDs e Blu’rays: Robb, Joffrey, Stannis, Renly e Daenerys. O que Daenerys tinha a ver com isso não sabemos. Balon Greyjoy e sua guerra para ser feito Rei das Ilhas de Ferro não foi considerada:

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✖ Stannis morrer devendo sei lá quantos milhões para o Banco de Ferro. Quem vai pagar? (Se ele morrer nos livros essa também será uma questão a ser resolvida).

✖ “Vinte bons homens” de Ramsay destruírem um acampamento de milhares de guerreiros.

✖ De repente as pessoas se viram torcendo para o Ramsay.

✖ A morte de Stannis encerrou apenas o arco de Renly.

✖ Melisandre ficar literalmente sem palavras pra explicar o que aconteceu é sintomático.

✖ Roose Bolton nem aparece na batalha. Ramsay de repente virou bonzinho e não se importou em procurar o corpo de Stannis para esfolá-lo ou garantir que ele estava morto.

✖ Sansa observa a batalha começar na Torre Queimada. Quando o embate começa ela corre de medo e encontra Theon e Myranda. Ao jogar Myranda das ameias os soldados Bolton já estão voltando na batalha, e por isso Sansa e Theon resolvem pular. Isso quer dizer que a batalha durou o tempo que Sansa correu de uma Torre pra outra.

31. DE QUE LADO ESSA MURALHA ESTÁ? E QUAL O TAMANHO DELA?

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Por que Jon Snow e os selvagens voltaram de Durolar do outro lado da Muralha? Sendo que é exatamente ali que existem White Walkers? Na ida para Durolar na série de TV, os personagens Jon, Edd e Tormund seguiram a cavalo para Atalaialeste do Mar. Para que? Isso mesmo pessoal, pois lá existe uma baía onde eles poderiam ir para Durolar com seus navios. E assim lá eles chegaram, viveram o pior dia de suas vidas e voltaram. É, voltaram! Mas voltaram do outro lado da Muralha. É como se eles tivesse voltado a Atalaiaste, mas atravessado a Muralha de novo, exatamente onde deve estar cheio de White Walkers neste momento. Por quê? Para ter o simbólico momento onde Alliser Thorne os permite entrar. Veja no mapa a atitude insana de João.

O que faz menos sentido, é claro, é ver que depois Alliser mata Jon e vai ter que lidar com os selvagens que ele mesmo permitiu deixar passar. Se ele quisesse matar Jon, era só não abrir o portão e deixar ele lá que os White Walkers terminariam o serviço que começaram.

Sobre o tamanho da Muralha, no episódio 3.10 “Mhysa”, Sam conta que a Muralha se estende por 500 milhas (um pouco mais que 800km) e 700 pés (213 metros) de altura. Aqui, Sam quase dobrou o tamanho da Muralha. Nos livros a Muralha possui 300 milhas de comprimento e, sabemos que a ideia desse post não é comparar a diferença livros x série mas, se a Muralha fosse tão grande assim, Westeros deveria ser maior na série. O que, sabemos bem, não é o caso. Muito pelo contrário.

Já que estamos na Muralha, vamos encerrar esse tópico com uma questão que envolve tanto livros como a série de TV mas não é um erro de continuidade, e sim uma questão pra você tentar responder. Durante uma patrulha, Jon e sua turma encontram os corpos de dois companheiros de Benjen Stark e os levam de volta para a Muralha para estudá-los. No meio da noite os corpos acordam da morte como wights e tentam atacar Lorde Mormont. Jon o salva e tudo fica melhor na vida de Jon depois desse dia.
Mas aí fica a pergunta: Se a Muralha protege o reino dos homens e criaturas não podem ultrapassá-la, como esses homens conseguiram passar para o lado sul?

32. O POST TÁ ACABANDO, LISTAREMOS NOSSAS ÚLTIMAS CONSIDERAÇÕES:

Prometi no começo desse artigo que não colocaríamos aspectos sobre as motivações gerais ou arcos inteiros nessa lista. Por motivos de ‘não cabe’. Mas, antecipando os comentários, listaremos as pontas soltas que a série deixou de maneira geral. São eles:

✖ Os produtores não sabiam se escreveriam para a personagem Shireen Baratheon na série de TV. Portanto, no episódio 2.02 “Night Lands”, Melisandre comenta que Selyse não deu filhos a Stannis, apenas abortos. Shireen no entanto foi escalada a partir da terceira temporada, onde vemos que na verdade Stannis tinha sim, uma herdeira.

✖ Na segunda temporada de Game of Thrones, muitos dos membros da Patrulha da Noite exibiam um tenebroso sorriso com dentes podres. Isso foi ignorado nas temporadas seguintes (veja essa cena como comparativo aos dias de hoje).

No episódio 2.01 “The North Remembers” Tyrion chega em Porto Real usando sua armadura de guerra da batalha do Ramo Verde (Green Fork). Ele voltou para casa com Bronn, para servir como Mão do Rei. Na época, muita gente questionou o fato de Tyrion ter andado durante meses a fio até chegar a Porto Real usando uma armadura pesada, uma vez que ele não é um soldado e, mesmo que fosse, não é um cavaleiro para andar por aí assim.

✖  No episódio 2.05 “The Ghost of Harrenhal”, Bronn usa a palavra “aniversário” ao invés de “dia do nome”, em uma referência a Joffrey.

Depois de matar um White Walker no episódio 3.08 “Second Sons”, Sam foge com Gilly sem pegar de volta a obsidiana que usou. Aquela parecia ser a única arma que ele tinha. Mas mais tarde, no episódio 3.10 “Mhysa”, vemos que Sam ainda possuia muitas delas. Vale lembrar também que as obsidiadas que Jon usa em 5.08 “Hardhome” não possuem o mesmo formato das que Sam achou no episódio 2.05 “The Ghost of Harrenhal“.

Ainda sobre Sam, em 3.10 “Mhysa”, ele fala para Bran: “Você é o irmão de Jon! Aquele que caiu da janela!”. Mas é sabido por todos em Westeros que Bran caiu escalando, e não que ‘caiu da janela’. Que ele caiu da janela apenas nós, Jaime e Cersei sabemos. Robb e Catelyn também adivinharam, mas não estão mais vivos pra contar, nem saíram espalhando por aí em vida.

Arya e Sandor chegam ao Bloody Gate em 4.07 “Mockingbird”. Os cavaleiros do Vale não ligam para sua presença, mesmo que o nome de Arya seja anunciado. Eles dão meia volta e isso nunca mais é mencionado na série de TV.

Em 4.08 “The Mountain and the Viper”, Daenerys diz que Jorah espionou para Robert Baratheon “o homem que matou meu pai e roubou o trono do meu irmão”. Mas o homem que matou seu pai foi Jaime Lannister, como ela mesmo lembra em 5.08 “Hardhome”. Nos livros ela não cita Robert Baratheons, e culpa “os homens que mataram seu pai”, usando plural.

Em 4.10 “The Children”, Jaime leva Tyrion até uma passagem secreta e fala para o irmão seguir, que Varys o encontrará no final para tirá-lo da cidade. No entanto Tyrion muda subitamente o caminho, para ir se encontrar com o pai. Como Tyrion sabia onde encontrar as passagens secretas para a Torre da Mão? Apesar de Varys lhe ter dado um mapa com os túneis secretos em 2.09 “Blackwater”, Tyrion jamais explorou ou leu os caminhos secretos de Maegor em tela. Tyrion também não tinha verdadeira motivação para mudar de caminho naquele momento, mas essa é outra história…

Como uma das crianças mais bem criadas de Westeros, educada por meistres em uma casa onde havia uma das maiores bibliotecas do continente, Arya deveria entender pelo menos alguma coisa de valiriano. Qualquer coisa. Mas ela não entende nada (assim como seus amigos pobres e órfãos), como demostra ao encontrar Melisandre no episódio 3.06 “The Climb”.

✖ Em 4.09 “Watchers on the Wall”, Jon e Sam atravessam a Muralha e passam pelo portão quebrado por Mag, o Poderoso durante a batalha da noite anterior. Os destroços do portão estão na direção contrária da que deveriam estar, já que o gigante o empurrou de fora para dentro.

✖ Trystane é o herdeiro Martell na série, de acordo com o seu anúncio quando foi escalado. Mas na segunda temporada, Tyrion envia Myrcella para se casar com “o filho mais novo dos Martell”, e não o herdeiro de Dorne. Durante as falas da quinta temporada ele não é explicitamente citado como o único herdeiro, mas dificilmente acreditamos que a HBO escalará os outros filhos de Doran Martell a esta altura.

Roose Bolton sugere a Walder Frey em 3.10 “Mhysa” que Ramsay estava aprontando das suas com Theon, mas na temporada seguinte em 4.02 “The Lion and the Rose” ele fica surpreso ao ver o que aconteceu com Theon. (Perceberam como subitamente nem mesmo Roose sabia do que Ramsay era capaz?).

Em 4.07 Mockingbird, Tyrion conta a Bronn que Falyse, a irmã mais velha de Lollys, herdaria as terras de Stokeworth depois que o pai delas morresse. No episódio 5.02 “House of Black and White”, no entanto, sabemos que é a mãe das meninas (Tanda Stokeworth) quem governa o lugar, assim como nos livros.

✖ Em 4.05 “First of His Name”, Oberyn conversa com Cersei sobre sua filha Elia Sand, a mais nova e mais difícil de suas filhas. É estranho pensar em uma filha com uma personalidade mais rebelde do que as das irmãs mais velhas depois desta 5ª temporada.

Em 4.03 “Breaker of Chains” Daenerys e seus Imaculados aparecem nos portões de Meereen munidos com catapultas. Quando e como Daenerys conseguiu construir tais instrumentos de guerra? Com que material? Nos livros, para conseguir material para o cerco de Meereen ela ordena que seu exército desmembre os navios que usou para chegar a Yunkai. Na série não só existe uma cena que mostra isso, como temos Daario Naharis no episódio 3.08 “Second Sons” dizendo para ela explicitamente que não havia material para sitiar Yunkai quando eles invadiram a cidade. De Yunkai para Meereen não houve cena ou diálogo que explicasse as catapultas. Mistério.

✖ Ainda sobre 4.03 “Breaker of Chains”, Tywin discute o estupro e assassinato de Elia com Oberyn Martell. Tywin insiste que, durante a guerra, soldados cometem atrocidades o tempo sem o consentimento de seus comandantes, deixando implícito que o Montanha estuprou Elia por livre e espontânea vontade, tirando de si a responsabilidade pela brutalidade de sua morte. No entanto, no episódio 1.09 “Baelor”, vemos Tyrion se queixar com o pai de que os homens dos clãs das montanhas (contratados como mercenários) estavam brigando demais entre si, e Tywin se irrita dizendo que se soldados agem de forma indisciplinada, seu comandante é sempre o responsável.

Em 1.04 “Cripples, Bastards and Broken Things”, Viserys conta para Doreah que os crânios do dragões da sala do trono, foram dispostos de modo que ficavam progressivamente maiores à medida que chegavam perto do Trono de Ferro. Mas em 3.07 “The Bear and the Maiden Fair”, Tywin e Joffrey falam sobre como os crânios estavam dispostos de maneira contraria a sugerida por Viserys: do menor (tamanho de uma maçã) para o maior (tamanho de uma carruagem).

No episódio 4.05 “First of his Name” Tommen e Daenerys são nomeados “Rei dos Ândalos e dos Primeiros Homens”. Nos livros, o título é, na verdade, “Rei dos Ândalos, dos Roinares, e dos Primeiros Homens” – reconhecendo os três principais grupos étnicos nos Sete Reinos. O roinares são os ancestrais dos dorneses. Se Tommen não é rei dos Roinares, ele não reina Dorne. Mas sabemos que isso não é verdade. A série tirou os roinares dos títulos formais de reis desde o episódio 1.01 “Winter is Coming”, quando Ned executa o patrulheiro desertor recitando o título de Robert. No entanto, no episódio 4.10 “The Children”, Daenerys é nomeada por Missandei como “Rainha dos Ândalos e dos Primeiros Homens”. Anteriormente Daenerys já havia sido referenciada sem o título roinar, nos episódios 3.07 “The Bear and the Maiden Fair“.

✖ Em 5.04 “Sons of the Harpy” Mindinho conta a Sansa que esteve no Torneio de Harrenhal e viu Rhaegar dar a rosa do amor e da beleza para Lyanna. Harrenhal pertencia, até o inicio da guerra dos Cinco Reis, a família Whent. A mãe de Catelyn era dessa família: Minisa Whent. Teria sido interessante Sansa relacionar a história com a propria avó. Não foi o caso.

✖ Ellaria matar Myrcella ao mesmo tempo em que Trystane está indo se encontrar com Cersei. (Teremos que esperar a 6ª temporada para ver os desdobramentos disso, mas por enquanto é furo).

Sor Jorah sugerindo em 5.05 Kill the Boy, atravessar a pé a costa oeste da Baía dos Escravos, até chegar a Meereen.

Os whights que são lentos nas primeiras temporadas mas depois se transformam em criaturas rápidas como os zumbis de Guerra Mundial Z ou Jason and the Argonauts.

O caso do Rei da Noite que a HBO revelou sem querer ser o líder dos White Walkers, foi contestada e tirou a alegação do ar. Mas… nesse ano assumiu que quer que o cara seja o Rei da Noite sim, mesmo que não faça sentido, de acordo com a lenda, que ele ainda exista depois de tanto tempo. (Furo apenas pra quem leu os livros).


Divida com a gente nos comentários o seu parecer sobre essas questões. Um artigo com os erros de continuidade dos livros também será publicado por aqui em breve. Se a gente se esqueceu de alguma continuidade ‘esquisita’ da série de TV, não se esqueça de dividir com a gente também.